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Aos 60 anos, ativista travesti sofre AVC, alega transfobia de médico e amigos pedem ajuda



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A travesti Martinha Sá, de 60 anos, foi vítima de um AVC no dia 17 de março em Salvador, Bahia. E, além de enfrentar os problemas de saúde, acabou sendo vítima de transfobia e negligencia médica, segundo informou os veículos locais Jornal da Chapada e Aratu Online.

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Após sentir dores no peito, ela foi encaminhada ao Hospital Geral Roberto Santos, mas acabou sendo mandada de volta para a casa pelo médico, que alegou não prestar atendimento à travesti, assim que passou pela triagem. Segundo o relato, ela passou mal novamente e foi encaminhada à internação do Hospital Geral Ernesto Simões Filho, onde permanece até hoje em quadro estável.

A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia informou que não há registro da travesti no Roberto Santos. E que, ainda que o médico tenha se recusado a atendê-la, a paciente precisaria passar pela triagem por enfermeiros, antes de ser encaminhada ao médico.


Em entrevista, a pesquisadora e transfeminista Viviane Vergueiro alegou que a falta de acesso à saúde ainda é constante na vida da população trans. “É importante que o estado e a Universidade Federal da Bahia percebam que a negação à saúde integral de pessoas trans e travestis é uma violação de direitos humanos”.

Diante da situação de Martinha, amigos fizeram uma vaquinha para ajudar no tratamento e recuperação da travesti, bem como ajuda-la na reconstrução de sua casa no centro histórico de Salvador. A casa, que servia como fonte de renda pelos quartos alugados, foi incendiada em 2013 em um ataque transfóbico. Ela diz que antes de atear fogo, o criminoso disse: "Se eu pudesse, vocês viados morriam assim, todos queimados".

Atualmente, ela vive em outro espaço e sobrevive com a ajuda de amigos. 
Martinha é ativista pelos direitos das pessoas LGBT e vivenciou os anos de ditadura militar, relatando na Comissão da Verdade ter sido vítima de perseguição e prisão arbitrárias as travestis no centro de Salvador.

O texto da vaquinha diz: “Decidimos abrir esta ‘vaquinha’ para apoiar Martinha nas suas necessidades urgentes. Sua saúde precarizada e sua casa ainda em ruínas são dois motivos críticos para que possamos contribuir com seus processos de recuperação e reconstrução. As doações serão diretamente repassadas a ela, para que possa estabilizar materialmente no cuidado de sua saúde, e se possível pensar formas de recuperar a casa”.

Quem puder ajudar, pode acessar a vaquinha aqui. Ela pretende arrecadar 10 mil reais, mas até o momento apenas 17% do valor total foi conquistado.

Assista a um vídeo com depoimento de Martinha:


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Roxelle Lamour disse...

Como é que existem pessoas pedras capazes de fazer uma coisa dessa, queimar a casa da outra? Nossa me solidarizo com a situação dela.

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