Pride

Associação de SC quer capacitar travestis e transexuais na área da beleza e busca apoio



.
A Associação em Defesa dos Direitos Humanos com Enfoque na Sexualidade, ADEH, de Florianópolis, Santa Catarina, desenvolve mais uma ação para combater a transfobia e promover o respeito à população de travestis e transexuais: o projeto Empoderamento Contra a Transfobia. 

+ Prova da OAB traz importante questão sobre travesti, mas derrapa na transfobia institucionalizada


A presidente Lirous K’yo Fonseca explica que se trata de cursos de capacitação na área da beleza e estética, que vão dialogar com o programa Economia Solidária. Ele envolve capacitação profissional, geração de renda e estruturação de novas alternativas de vida.

“O projeto Empoderamento Contra a Transfobia busca neste momento formação técnica especializada em uma área em que socialmente já existe expressiva inserção de seu público-alvo: o mercado da beleza. Assim, com a devida capacitação técnica as pessoas formadas estariam instrumentadas para adentrar o mercado de trabalho formal, criando novas formas de geração de renda com possibilidade de crescimento profissional expressivo”, declara.

Inicialmente, 15 travestis e transexuais estarão participando de três cursos profissionalizantes: Depilação com linha (Face e sobrancelhas – duração de 8h), Design de sobrancelhas (20h), curso de formação de maquiadora (48h). E uma oficina de técnica vocal (48h), que visa gerar qualidade de vida e saúde vocal, além de sugerir um coral de travestis e transexuais. “Muitas travestis e transexuais relatam não serem aceitas em atividades musicais por não terem o seu gênero condizente com a sua voz, e o intuito é romper com essa construção social que segrega as pessoas do meio musical”.



Sabe-se que mais de 90% das travestis e mulheres transexuais estão inseridas na prostituição. E que muitas estão, não porque têm o direito de escolher e trabalhar nesta profissão, mas porque foram empurradas para ela por meio do estigma. O objetivo é oferecer outros leques de oportunidade para quem quiser, capacitar e ajudar na inserção do mercado formal ou em outras áreas.

“Criando alternativas à prostituição, resgata-se a cidadania da população de travestis e transexuais, devolvendo-lhes o sentido de pertencimento ao grupo social no qual estão inseridos/as, e afastando-os/as das violências física e psicológicas a que estão submetidos/as por serem estas intrínsecas ao ambiente de prostituição”, declara Lirous, que pondera: “O propósito de toda a estrutura de Economia Solidária, sem o caráter de depreciação ou crítica negativa à prostituição como caminho possível de subsistência encontrado por elas, mas sim mostrando que esta não é a única via possível para a população trans”.

Como a associação é não-governamental, o projeto busca financiamento coletivo. Você pode contribuir divulgando essa matéria ou fazendo a sua doação nesta página aqui.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.