Pop e Art

Atriz trans Glamour Garcia revive Salomé e questiona o lugar da mulher em novo solo



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A atriz Glamour Garcia, que é mulher transexual, entra em cartaz nessa sexta-feira (8) às 21h com o solo “Salomé”, do diretor português Alexandre Magno, na Casa da Luz, centro de São Paulo. A temporada tem sessões quintas, sextas e sábados, às 21h, e domingos, às 19h até 22 de maio.

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A obra aborda o desdobramento da clássica história de Salomé, apontada como a responsável pela execução de João Batista no Novo Testamento. Ela se inspira em Oscar Wilde, Gustave Flaubert, Richard Strauss, além da personagem Norma Desmond, de Crepúsculo dos Deuses.

Na trama, Salomé realiza um feitiço com o objetivo de ressuscitar João Batista e trazer um novo embate, um acerto de contas que reflete o lugar da mulher no mundo e questiona a marginalidade que a personagem histórica ocupou em mais de dois mil anos.

Glamour caminha por uma linguagem entre a dança e o teatro em uma performance com ênfase no ato poético. A cenografia traz um aspecto de teia de aranha. Uma simbologia ambígua de aprisionamento e libertação se misturam em cena. Todos os adereços cênicos enfatizam o aspecto intimista e ritualístico de toda a mise-en-scène.

“A personagem é um arquétipo, possui uma força cultura e uma representatividade do feminino. Sabe o seu luar. O solo é como se fosse a história de muitas mulheres, é uma forma de dar voz à todas elas, ir além da beleza da maternidade. Vejo em Salomé muitos preconceitos deterministas que a desumanizaram, tornando-a um monstro que deve ser combatido. Porém, enxergo ela como uma criatividade pulsante de viver e uma expressão dos anseios feministas e delirantes. É uma forma de transmitir ao mundo a inconformação real com a falta de magia e a sensibilidade de toda nossa existência”.

Vale ressaltar que Glamour vem galgando espaço no mundo das artes. Já venceu o prêmio de "melhor atriz" nos festivais MixBrasil e CineMube Independente pelo filme "O Amor que Não Ousa Dizer Seu nome", de Bárbara Roma. Protagonizou o filme "Ano Branco, de Luiz Roque, e o documentário "Além das 7 Cores, de Camila Biau. No teatro, dirigiu e protagonizou Medéia, 
baseada na obra de Eurípides e a performance teatral Tigrela, da obra de Lygia Fagundes Telles. Além disso, faz shows e performances por todo o país.

Já o diretor Alexandre é bailarino, performer e poeta. Nascido em Lisboa, ele reside desde 2005 no Brasil, onde tem se destacado em produções de dança e teatro, além de desenvolver colaborações entre os dois países, em torno de suas inquietações artísticas. Como artista-residente do LOTE, projeto de criação de Cristian Duarte, desenvolveu os exercícios artísticos Arco-Íris, Partitura de Corridas, Movimento POW e a aula POW Aka Jazz Latin Fusion. Assinou a direção de movimento e participou como ator do espetáculo teatral Why The Horse?, de Maria Alice Vergueiro. Como performer, integrou as criações 1mm of all that jazz, Biomashup e Osso, de Cristian Duarte. Também é bailarino convidado do grupo GRUA.

Serviço:
Salomé estreia sexta-feira, 8 de abril às 21h.
Casa da Luz: R. Mauá, 512 - Centro, São Paulo – SP (Espaço: Varanda)
Telefone: (11) 3326-7274. Capacidade: 25 lugares.
Temporada: Quintas, Sextas e Sábados às 21h, e Domingos às 19h até 22 de maio. Preço: Grátis. Classificação: 14 Anos. Duração: 40 minutos. http://casadaluz.org/.

Obs: Abertura de bilheteria uma hora antes do espetáculo. Reserva pelo telefone:

Ficha Técnica:
Direção: Alexandre Magno. Elenco: Glamour Garcia. Cenografia: Rebecca Salloker. Figurino: Gustavo Silvestre. Beleza: Carlos Rosa. Foto: Dudu Quintanilha. Produção: Mariana Castilho

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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