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Ex-produtora da Globo, Bárbara Aires cursa jornalismo para humanizar população trans

A militante transexual Bárbara Aires (foto: Tatá Barreto), que se tornou nacionalmente conhecida após trabalhar na produção do programa “Amor e Sexo”, da TV Globo, acaba de entrar na faculdade de jornalismo da FACHA – Faculdades Integradas Hélio Afonso, no Rio de Janeiro. 

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Ela anunciou que está tendo o nome social e a identidade de gênero respeitadas no espaço. E que está bastante empolgada com o curso.

“Sempre me falaram que sou comunicativa, que sei me expressar e que tenho facilidade com as palavras. Dizem quando eu falo, fica fácil entender. A experiência profissional (como produtora do Amor e Sexo, de 2012 a 2013) me deu o rumo que eu precisava, me mostrou que sou capaz e posso ter uma profissão”, escreveu nas redes sociais.

Ela diz que pensou em jornalista depois de observar a maneira como muitas reportagens tratam o grupo de travestis, mulheres transexuais e homens trans. E pela vontade de promover um jornalismo humanizado, respeitoso e sério.

“A maioria (das reportagens) só cita travestis quando são presas ou arrumam briga e confusão. Como se nenhum outro grupo de pessoas fizesse também, e como se travestis não fizessem outras atividades. Ou citam mortes por questões marginalizadas. Fazem questão de citar o nome de registro, isso quando nem usam o nome social. É uma espetacularização do ser travesti e transexual, exposições vexatórias e com tom de deboche. Brincadeiras do tipo “é ele ou ela? Menino ou Menina?”, entre outros".

Bárbara afirma que pretende honrar o juramento profissional da profissão: “ter compromisso com a informação, atuando dentro dos princípios universais, da justiça e democracia", além de "buscar o aprimoramento das relações humanas, visando um futuro mais digno e justo para todos os brasileiros.  "Não é o que vejo na maioria dos casos”.

Ela afirmou que anteriormente não entrou em uma faculdade antes porque até então as referências que teve de pessoas trans só estavam dentro da prostituição – profissão que acabou sendo vista como único destino. Ela participou da iniciativa PreparaNem, que auxilia travestis, mulheres transexuais, homens trans e outras pessoas sujeitas à vulnerabilidade social a se prepararem ao Exame Nacional do Ensino Médio. “É por essa visibilidade, por um jornalismo inclusivo e respeitoso para com todos, de verdade, que eu quero ser jornalista!”

Sobre o nome social respeitado, a faculdade respondeu a uma postagem de Bárbara no Facebook: "
Ficamos felizes que sua carteirinha ficou pronta e todo o processo de emissão aconteceu sem problemas. Ser reconhecida pelo nome social é um direito e respeitamos sua conquista. Vocês, nossos alunos, tornam a FACHA um lugar melhor. Obrigado!"

Boas aulas, colega!

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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