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Fotógrafo Paul Grace começa a incluir homens trans em revistas gays e relata resistência



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O fotógrafo cis Paul Grace, conhecido internacionalmente por fotografar a comunidade gay para revistas gays, escreveu um artigo onde revela a iniciativa de incluir homens trans em tais publicações gays. De acordo com ele, há uma grande resistência em aceitar homens trans em ensaios sensuais e as críticas são bastante transfóbicas. 

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Ele afirma que sempre lutou contra os ideais heteronormativos e que mais recentemente procurou desafiar a maneira de pensar “azul para meninos e rosa para meninas”. A ideia de fotografar modelos trans ocorreu depois do convite de fotografar a noite trans no clube Dalston Superstore.

“Foi lá que conheci o diretor de cinema Jake Graf, em uma seleção para o seu filme com temática trans, Brace. Falamos sobre eu colaborar com uma sessão de fotos para criar uma visão de futebol e ajudar a normalizar a opinião das pessoas quanto à comunidade trans. Em 2015 começou a loucura”, escreveu.

Grace declara que fez ensaios para oito publicações internacionais, da Turquia, Nova Zelândia e EUA. Ele também incluiu fotos de homens trans em nu frontal. “Fiquei desapontado ao constatar que a transfobia ainda é abundante e chocante dentro da comunidade LGBTI”, contou. Dentre os relatos que mais o decepcionaram, é de que gays cis querem "homens de verdade", como se homens trans fossem "de mentira". 




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Uma capa com um homem trans nu na revista gay QX, de Londres, também causou revolta. “Entrei em um antigo bar de Compton Street para pegar uma cópia e fiquei conversando com um grupo de rapazes gays. Falei sobre a história por trás da revista e fiquei horrorizado com a reação deles, que disseram: ‘Mas revistas masculinas gays deveriam ter apenas 'homens de verdade' na capa”.

O fotógrafo afirma ainda que não se trata de comentários isolados. E dá outros exemplos. Em uma festa de fim de ano, conversou com um amigo gay cis sobre as próximas fotos, então recebeu um dos comentários mais tristes. O amigo perguntou se ele não "estava fazendo tudo isso só porque não estava com vontade de foder uns travecos (sic)".

“Foi perturbador testemunhar esses casos de transfobia, mas em vez de ficar com raiva eu estou motivado a mudar as atitudes. Agora, eu fotografo regularmente pessoas trans de todo o mundo e de todas as esferas de vida. Recentemente trabalhei com Ben Melzer, Hannah Winterbourne e Munroe Bergdorf. Espero que meu trabalho vai de alguma forma quebrar barreiras e ajudar a aceitação das pessoas trans”, pontou.

Ele finaliza o artigo dizendo que “enquanto existir a transfobia, o seu trabalho vai continuar”, os transfóbicos querendo ou não.

Veja algumas das fotos: 








About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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