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Homem trans brasileiro surpreende ao fazer dueto com ele mesmo antes da transição

O estudante de biologia Guilherme Duarte, de 19 anos, publicou um criativo vídeo no Facebook em que faz um dueto com ele mesmo, por meio de um vídeo antigo de antes de iniciar o tratamento hormonal. A transformação da voz em três meses surpreendeu amigos e seguidores.

Ao NLUCON, ele conta que decidiu gravar o vídeo cantando "Riptide", de Vance Joy, para perceber as mudanças de sua voz. “Estava escutando vídeos antigos quando estava pouco menos de um mês de T, e comecei a cantar junto. Quando percebi que minha voz tinha mudado, decidi esperar completar três meses para fazer um vídeo comparativo”.

Segundo Guilherme, o resultado e a brincadeira atenderam as suas expectativas, agradaram e surpreenderam os amigos. “As pessoas acharam a ideia legal e disseram que minha voz tinha mudado muito e que tinha ficado surpresas com isso”, conta ele, que somou quase 4 mil visualizações e pretende gravar outros vídeos no mesmo estilo. "Estou adorando esse antes e depois". 

O estudante, que nasceu em Itajubá e atualmente mora em São Paulo, diz que não se considera cantor, mas diz que adora música e a encara como uma maneira de se expressar. “A música sempre foi importante para mim nesse quesito e é uma das principais formas de colocar para fora o que eu sinto. Ainda é um hobbie, eu também amo ciências, mas é claro que não recusaria a oportunidade de trabalhar com música algum dia”.

Assista ao vídeo:




Guilherme afirma que, quando começou o processo transexualizador, sentiu receio de que pudesse perder afinação ou não conseguir cantar novamente. “Ouvi relatos de homens trans que não conseguiram cantar de novo, pois a voz ficava como a de adolescente, que muda durante a fala, meio incontrolável. Mas depois ouvi relatos de caras que continuaram cantando e eu fiquei decidido a continuar. De qualquer forma, se eu não conseguisse mais cantar para as pessoas, o chuveiro ia continuar me escutando de qualquer jeito”, brinca.

Hoje, ele afirma que considera muito importante ter homens trans em todas as áreas, seja na música, na faculdade de biologia ou outros espaços. “O fato de estarmos finamente entrando nesses espaços que geralmente nos é negado, ocupando, mostra o resultado dessa luta. Muitas vezes as pessoas reproduzem transfobia pela falta de conhecimento. Muitas delas sequer conheceram um homem trans na vida e mudam a perspectiva quando conhecem nossa história e percebem o que a gente tem que passar. O simples fato de estarmos ali já está mudando alguma coisa. Para melhor. E isso é extremamente importante”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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