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Luana Barbosa: Lésbica, negra, pobre e morta depois de ser espancada por PMs



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Ao levar o filho de 14 anos para a escola de moto, Luana Barbosa dos Reis, de 34, foi brutalmente espancada no bairro Jardim Paiva, em Ribeirão Preto, interior de São Paulo. E morreu. Mulher, lésbica, negra, pobre, ela teve a “condenação”, mesmo sem crime, ao cair nas mãos de seis policiais militares.

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Segundo relato de vizinhos, Luana estava com o filho na garupa quando foi abordada pelos policiais. Sem nenhuma denúncia, eles intimidaram Luana e pediram para ela ficar contra o muro com as mãos para trás. Luana disse que era mulher e pediu que fosse revistada por uma mulher. A resposta foi um chute nas penas e um soco no estômago.

“Foi uma coisa de terrorismo que eu nunca tinha visto na minha vida. Eles foram muito violentos. Deram bastante cacetada nela, nas pernas, mas muito”, relatou uma vizinha, que preferiu não se identificar, ao jornal da Globo. Luana teria se defendido, dando um soco em um policial e um chute no pé de outro, e sofreu mais violência na frente do filho.

A irmã Roseli dos Reis declara que foi uma cena de guerra com gritos e tiros. “Ao abrirmos o portão, já estava uma cena de guerra, com policial apontando arma, vizinhos correndo e minha irmã gritando e pedindo ajuda”.

Após a agressão, os policiais chegaram a revistar a casa de Luana e de sua namorada, mais uma vez sem encontrar nada que justificasse a abordagem violenta. Os familiares alegam terem sido ameaçados pelos policiais. Um vídeo chegou a ser feito depois de ela ter sido agredida e passar pela delegacia, e relata na voz de Luana a violência que sofreu.

Assista: 




Luana morreu cinco dias depois de ter sido internada na Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas. Na declaração de óbito, consta que ela sofreu de isquemia cerebral aguda causada por traumatismo crânio-encefálico.

POLÍCIA TENTA JUSTICAR VIOLÊNCIA DA POLÍCIA


Os suspeitos que estão sendo investigados são Douglas Luiz de Paula, Fábio Donizeti Pultz e André Donizeti Camilo, do 51 Batalhão da Corporação. O tenente coronal da PM, Francisco Mango Neto negou as agressões e disse que a abordagem foi motivada porque os policiais suspeitaram de que Luana dirigia uma moto roubada.

“Eu acredito que não (houve excesso). Na realidade foi para contê-la. Tanto que os policiais estavam muito mais lesionados, com cortes, e ela não. Ela foi íntegra para a delegacia, lá foi solicitado exame de corpo de delito, o qual ela deveria passar”, declarou.

O tenente também chegou a questionar se o motivo da morte não teria sido drogas, anabolizantes, “porque ela era lutadora de arte marcial, bem forte”.

Em relato de um familiar ao site Ponte Jornalismo, Luana estava apenas com peças íntimas na delegacia, tinha olhos inchados e vomitava. “Ela não conseguia ficar em pé, parecia o corpo de alguém que não tinha ossos”, contou.

FAMILIARES APONTAM PRECONCEITO E ABUSO 


Além da violência policial, a família acredita que Luana, que trabalhava como faxineira, garçonete e vendedora, tenha sido alvo de preconceito por ter um registro policial anterior, quando foi acusada de porte de arma e roubo, sendo solta em 2009. E também por ser uma mulher lésbica.



“Ela não pode refazer a vida? Ela não tem mais direitos e nem é ser humano por ter passagem? Não tinha nenhuma acusação contra ela. Estão tentando usar o fato de ela já ter tido passagem para convencer a opinião pública de que foi merecido. Que bandido bom é bandido morto. Por que não levaram ela presa por desacato? Por que fizeram tudo isso com ela? Ela já estava rendida, não tinha necessidade disso”, declarou.

Sobre ser uma mulher lésbica e com aparência masculina, a irmã diz que Luana constantemente era alvo de agressão. “Ela dizia que não aguentava mais ser parada nas ruas daqui. Ela pagou o preço por parecer um homem negro e pobre, ela foi abordada como outros homens da periferia são”.

PETIÇÃO PEDE PARA O FIM DA IMPUNIDADE

Uma petição virtual pede o fim da impunidade para os policiais e Justiça para o caso de Luana. Até o momento, a petição conta com 11 mil assinaturas. 

Assine clicando aqui.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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