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Mulher transexual relata estupros contínuos em penitenciária; outra cometeu suicídio



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Uma mulher transexual chamada Mary fez um relato emocionado para o site australiano News.com.au contando o que passou dentro de vários presídios na Austrália. De acordo com ela, que foi presa ao tentar roubar um carro, os outros presos a estupraram mais de duas mil vezes em quatro anos.

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Mary afirma que a Austrália não respeita a identidade de gênero de uma pessoa trans. E que ela foi colocada em um presídio de homens, sendo obrigada a ter o cabelo curto e interromper o processo de transição com hormônios femininos.

“Eles te manipulam e te ameaçam a ter contato sexual. E quando você cede, torna-se alvo fácil para que outros também queiram a sua cota de sexo, que é mais que sexo consensual, é estupro”, declara ela, que diz que acabava passando por tudo isso para sobreviver. 

Mary diz que transitou por diversos presídios, chegando a ficar presa na ala de alta vigilância, ao lado dos presos mais perigosos. E que o pior lugar que esteve presa foi em Boggo Road, no Estado de Queensland. “Foi um inferno, era como se eu tivesse morrido e esta fosse a minha punição. Cada vez que eu dizia ‘não’ e tentavam afastá-los, eles forçavam. E não era um ou dois, eram muitos”.

Ela relata que outra transexual, que constantemente era violada sexualmente e que foi libertada, chegou a cometer suicídio ao voltar para a prisão por violar a condicional. "Ela não aguentou e se enforcou". Já Mary tentou fugir três vezes pelos estupros.

Desde que saiu da prisão, ela diz que não manteve nenhum relacionamento e faz um apelo para que trans não fiquem em presídios masculinos e que seu gênero deve ser respeitado em todos os lugares. “Deveríamos ser colocadas em prisões femininas. Somos seres humanos e a maioria de nós nasceu assim e só quer viver a sua vida, sem ser ridicularizada".



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Em prisões de todo o mundo há relatos de abusos e agressões transfóbicas a travestis e mulheres transexuais em presídios. Vicky Thompson (foto acima), por exemplo, foi encontrada morta em uma prisão em Armley ano passado. No Brasil, Verônica Bolina - acusada de agredir uma senhora - foi presa em uma prisão masculina e sofreu violência policial. Já a inglesa Tara Hudson passou uma semana em uma prisão masculina Gloucestershire, mas conseguiu ser transferida para uma feminina após uma petição.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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