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Para babar! Homens trans sensualizam como gogo boys em festa no Rio de Janeiro

Kaique e Leonard sensualizando na festa "CisHeterofobia Existe - é mentira" / Gataria


Por Neto Lucon (Foto: Gataria Photography e Halisson Paes)

A festa "CisHeterofobia Existe - é Mentira", organizada pelo coletivo Prepara Nem no dia 1º de abril no Rio de Janeiro, contou com uma novidade quentíssima para a noite LGBT: homens trans dançando, sensualizando e atuando como gogo boys.


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A ideia partiu do militante trans e professor de educação física Leonardo Peçanha, que teve o objetivo de finalmente levar homens trans a participarem de festas voltadas para o público LGBT e também abrir oportunidade para eles fazerem shows nestes espaços.

“Queremos abrir mais esse meio de trabalho cultural, pois além das drag queens e gogo boys cis, também podemos ter homens trans. Lembrando que o ideal é não ser apenas corpos sarados, mas gordos e fora do chamado padrão de beleza. É por isso que eu e Patrick (Lima - o CK) estávamos lá”, declarou Leonardo ao NLUCON.

Com o grupo completado por Kaique Theodoro, Bernardo Gomes e Leonard Maulaz, os gogo trans boys foram a grande sensação da festa. O público gritou, aplaudiu e se jogou com a performance dos rapazes. “Foi diferente de tudo que já vivi até agora. Sou muito tímido e confesso que foi difícil começar a dançar e soltar algumas peças de roupa. O público foi maravilhoso, rostos atentos e palavras motivadoras”, diz o jornalista CK.


Leonardo Peçanha e CK sensualizam na festa / Gataria 

Gataria Photography



Crédito: Halisson Paes
Crédito: Halysson Paes
Crédito: Gataria Photography
Crédito: Gataria Photography
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O estudante de Leonard Maulaz diz que adorou estar em cima do palco. “As pessoas gritando quando tirei a roupa, foi a melhor parte em cima do palco. E depois quando desci, por onde eu passava, as pessoas me cumprimentaram. Achei fantástico e pensei: mesmo não sabendo dançar, acho que fiz a coisa certa”.

Obs: os gogo cis também não são mestres de dança, relaxa! ;)


PERFORMANCE POLÍTICA E FETICHE

Todos eles encararam a experiência como uma massagem ao ego, mas sobretudo como uma oportunidade de promover a visibilidade de homens trans. “Performar com um corpo não normativo é um ato político”, diz CK. 

“Precisamos ter mais visibilidade e perguntei: porque só homem cis é chamado para ser gogoboy, nunca homens trans?”, questionou Maulaz antes de aceitar o convite.

CK comentou que, por outro lado, tem consciência da fetichização em cima dos corpos dos homens trans. “Não acontece só com a gente e o universo trans em si sofre com isso. Acredito que seja uma questão cultural com o exótico. O que me resta é criar estratégias para evitar ou sair desse tipo de situações e proposta indecentes”, diz.

Feliz com o sucesso da iniciativa e da festa, Peçanha diz que a performance teve o intuito de brincadeira. “Mas sabemos que é possível abrir essa alternativa também para homens trans”. A gente achou o máximo, né?

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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