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Polícia confirma que trans de 14 anos foi morta por transfobia; ela havia relatado ameaça



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O delegado José Aparecido Jacovós confirmou que o assassinato de Luana Biersack – uma garotinha transexual de 14 anos – foi provocado por transfobia. Ela estava desaparecida desde o dia 13 de abril e teve o corpo encontrado em um lago no último fim de semana no município Novo Itacolomi, no Paraná

A confirmação se deu depois de a Polícia Civil escutar o relato dos quatro adolescentes acusados. Dois foram internados no Centro de Socioeducação (Cense) de Apucarana, por homicídio e ocultação de cadáver. Outros dois foram liberados com restrições, pois não participaram diretamente da morte e cooperaram com as investigações.

“As investigações mostraram que não houve motivo nenhum para matarem a vítima, a não ser por preconceito. Teve agressão e violência antes da morte. A causa principal, pelo que observamos, é mesmo por intolerância”, declarou o delegado, que disse que Luana já havia relatado ameaças por meio do Facebook, mas que não procurou a polícia.

A jovem foi agredida com chutes e socos e morta por afogamento, depois de ter relacionado sexualmente com os suspeitos. Eles alegam que o sexo foi consentido. Após de matarem a jovem, os assassinatos atiraram o corpo em uma represa, ao lado do lago, sendo encontrado dias depois.





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Anteriormente, Luana havia sido vítima de outro crime: foi aliciada por um conselheiro tutelar do município de Borrazópolis. Ele teve prisão preventiva decretada e está atualmente foragido. 

Os casos não têm ligação. Mas mostram como são tratadas as crianças e adolescentes trans no Brasil.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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