Pride

Nadador Schuyler Bailar é o primeiro homem trans a ser destaque em equipe masculina



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Aos 19 anos, o nadador Schuyler Bailer vem abrindo portas para a comunidade trans no esporte. Depois de se destacar entre mulheres, ele é o primeiro homem trans a ter a oportunidade de entrar para a equipe masculina de natação de Harvard, universidade dos Estados Unidos.

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Ele afirma que antes de iniciar a transição de gênero sofria de depressão, ele era infeliz, tinha pensamentos suicidas e transtornos alimentares. E declara que a natação era o único momento em que ele conseguia a fuga para a felicidade.

“Nadar era minha única saída, foi o único lugar onde eu pude desfrutar da paixão”, declarou. "No ensino médio, tive que deixar o meu cabelo crescer, ser conformado, usar vestidos e salto para o baile - eu era muito infeliz nesses outros momentos".

Durante os dois anos anteriores, Bailer era apontado como um dos melhores atletas da equipe feminina do ensino médio – com as melhores notas e tempo. Mas após se revelar homem trans, gerou debates internos e pessoais sobre o seu futuro no esporte – afinal, não há atletas trans conhecidos e reconhecidos neste esporte.


Ele mesmo se perguntava: “E quanto à natação? Como ficará o meu corpo? E a minha cirurgia? Como tudo isso vai refletir nas competições?”. Mas logo se convencia de que não poderia abrir mão da sua identidade, mesmo que tivesse que abrir mão do esporte.




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“Eu só queria ser um menino e eu sabia que queria muito isso”, disse. E iniciou o processo para a transição de gênero, fazendo o uso de hormônios. Atualmente, ele já passou pela mamoplastia masculinizadora (cirurgia plástica reconstrutiva, que transforma a mama feminina em masculina).

Para a surpresa do atleta, a treinadora Stephanie Morawski observava que ele continuava competindo com as mulheres, mas que se identificava como homem. Ela conversou com o atleta em outubro e informou que conseguiu transferi-lo para a competição dos homens. "Foi metade aterrorizante e metade emocionante", admitiu.


Apesar de estar acostumado a ganhar com mais facilidade na equipe feminina, ele ainda está longe de ser um dos melhores entre os homens cis. Mas diz que fez as pazes com a transição e a carreira; e que finalmente conseguiu conciliar dois sonhos: ser um homem trans nadador.

“Não tenho ideia do que o meu corpo pode fazer. Meu objetivo é contribuir com a equipe, ser um bom companheiro de equipe e ser um bom amigo. Hoje em dia tenho outros tipos de glória”, contou.

Vale lembrar que a associação esportiva National Collegiate Athletic Association esclareceu em 2011 que atletas trans podem competir em equipes de ambos os sexos, dependendo do uso de hormônios.





About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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