Pop e Art

Alice Caymme divide opiniões ao trazer mulheres transexuais em clipe “Homem”



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A cantora Alice Caymmi - que é considerada uma das musas gays - divulgou o seu mais novo clipe na rede, Homem, dirigido por Dácio Pinheiro. Mas, enquanto muita gente elogiou, outras viram nele a polêmica de trazer duas mulheres transexuais ao refrão de: “Eu sou homem, pelo grosso no nariz”.

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A crítica se dá porque uma das bandeiras mais fortes da comunidade de travestis e mulheres transexuais é a de que sejam reconhecidas e respeitadas em sua identidade de gênero feminina. Ou seja, de que sejam tratadas como mulheres.

O clipe mostra as modelos Viviany Beleboni e Melissa Paixão completamente nuas e sensuais, ilustrando a inveja que homens (não) sentem das mulheres - a não ser pelos orgasmos múltiplos delas. A música, contudo, é de autoria de Caetano Veloso e foi divulgada inicialmente no álbum Cê, de 2006. Alice fez uma releitura.

Nas redes sociais, houve quem considerou a música preconceituosa. Houve quem não viu nada demais, destacando o fato de a cantora dar trabalho a duas modelos trans. E há quem considerou essa nova versão uma crítica e uma provocação à sociedade, por se tratar de uma mulher cantando e por revelar corpos ressignificados de pessoas que, embora tenham em seus documentos a identidade de "homem", na vida prática derrubam por terra essas definições.

Em conversa com o NLUCON, a artista declarou que sua intenção foi, sim, questionar a sexualidade e o universo envolvendo as questões de gênero, tão arcaicas nos dias de hoje. E que, independente do título, se coloca ao lado dessas mulheres em pé de igualdade. "Quero declarar todo meu amor pelas pessoas trans e pelo que elas despertaram em mim em relação à própria feminilidade e em meu entendimento de gênero".

Sobre o debate em torno do clipe, Alice afirma que é extremamente importante que haja mobilização, seja contra ou a favor. "As pessoas têm voz e direito e devem lutar por eles. Se sentem-se ameaçadas, reagem. Eu, honestamente, não creio que deva reafirmar além de tudo que não sou transfóbica. As que entenderam, vão curtir a discussão que eu abri. As que não, podem falar comigo, pois estou aberta ao diálogo, de verdade".



Assista:




Confira alguns dos diversos comentários no NLUCON:










About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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