Pride

Ana Paula Valadão dá close errado ao incitar boicote à grife: “Ideologia de gênero”



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Foi só ver a mais nova propaganda do Dia Dos Namorados da loja C&A – em que homens e mulheres utilizam roupas e acessórios uns dos outros – que a cantora gospel Ana Paula Valadão resolveu dar um close errado-erradíssimo (homofóbico e transfóbico) nas redes sociais. E receber várias críticas.

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Ela se disse “chocada” e classificou como “absurda” e "ideologia de gênero" “a ousadia” da propaganda. Detalhe, a marca só usou casais heterossexuais e cisgêneros e sequer fez menção à homossexualidade ou à transexualidade.

“Hoje decidi manifestar minha Santa Indignação porque acredito que estão provocando para ver até onde a sociedade aceita passivamente a imposição da ideologia de gênero. Fiquei chocada com a ousadia da nova propaganda da loja C&A. São casais de namorados saindo e quando eles se beijam a roupa do homem passa pra mulher e a da mulher pro homem. Os homens saem de salto e tudo”, escreveu.

Assista:



A cantora diz ainda que as pessoas que conhecem “a verdade imutável da palavra de Deus não podem ficar caladas” e pediu um boicote à grife, derrapando na transfobia. “Nos EUA a loja Target já teve prejuízo porque mais de 1 milhão de pessoas pararam de comprar (inclusive eu) desde que determinou que banheiros feminino e masculino podem ser usados por quaisquer pessoas que se sintam homem ou mulher, aumentando os riscos de abusos”.

Ela terminou a postagem com as hashtags de cunho homofóbica e transfóbica: “UnisexNãoExiste”, “SouFemininaVistoComo Mulher”, “HomemVesteComoHomem”, “NãoàIdeologiaDoGênero”, “DeusFezHomemEMulher”, “FamíliaÉHomemEmulher”, “HéteroSexualidade”, “MonogamiaHeterossexualÉSexoSeguro”.

Vale lembrar que Ana Paula foi a mesma que defendeu a frase “Bela, recatada e do lar”, que tratou mal um fã que pediu uma foto, que disse que mulher gorda não combina com igreja, que discursou ter recebido uma mensagem de Deus para comprar um sapato com o couro da cobra Píton e que usa da religião da falar sobre política.

Vale informar que, ao contrário do que a cantora escreveu, não há casos de abusos feitos por travestis, mulheres transexuais e homens trans em banheiros públicos ou privados. Mas o contrário existe: a população trans é constantemente violentada, desrespeitada, ameaçada e estuprada em banheiros. 


Nas redes sociais, várias pessoas criticaram. Confira algumas das respostas:









About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

Anônimo disse...

Até concordo com algumas coisas que vc disse, outras não, como por exemplo, a questão aí, dos banheiros, ela não quis dizer que os homosexuais violentam pessoas, mas que a liberação dos gêneros para o uso do mesmo banheiro, facilita e muito, para pessoas mal intecionadas.

Marsia Mariner disse...

Resposta para o anônimo covarde aí de cima:

essa conversa-mole de que "a liberação dos gêneros para o uso do mesmo banheiro, facilita e muito, para pessoas mal intecionadas" é só conversa-mole mesmo, é racionalização, é desculpa para justificar a discriminação contra as pessoas transgêneras [ou transsexuais, para quem preferir esta palavra]. Então você acha mesmo que uma mulher trans vai sim ser recebida com indiferença, ou com boa-vontade, pelos marmanjos em um banheiro masculino? Acha mesmo que nunca houve casos de mulheres trans estupradas (inclusive dentro dos banheiros masculinos) por fanáticos religiosos? Do jeito que as mulheres trans são perseguidas e discriminadas quotidianamente, você acha mesmo que um estuprador de-verdade vai querer colocar essas dificuldades que só atrapalham a realização de seus objetivos? Tenta outra vez, véio, porque essa historinha não cola. Ou melhor ainda, não tenta coisa nenhuma, fica na tua, porque a tua ideologia já perdeu o prazo de validade.

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