Pride

Audiência pública na Câmara Municipal de SP discutirá transfobia; participe!



Por Neto Lucon

A estudante Laura Vermont, de 18 anos, foi brutalmente espancada por cinco homens quando voltava para casa. Ao ser socorrida pela polícia, acabou levando um tiro de um PM e morreu. A enfermeira Géia Borghi, de 45 anos, foi abordada por dois homens quando chegava do trabalho. Foi amarrada, levou um tiro no peito e acabou carbonizada. A profissional do sexo e estudante do Transcidadania La Monique de Roma, de 45 anos, estava trabalhando na rua quando recebeu vários tiros e morreu.


Laura Vermont, La Monique de Roma e Géia Borghi
Todas elas eram travestis e mulheres transexuais, foram vítimas de transfobia e residiam no Estado de São Paulo. Todos os assassinos estão soltos. 

De acordo com o Grupo Gay da Bahia, São Paulo é o Estado que mais matou travestis e transexuais em 2015. Dos 55 casos de assassinatos LGBTfóbicos, 21 foram contra a população trans. Em 2014, das 50 mortes por preconceito em SP, 26 foram contra travestis e mulheres transexuais. Já em 2013, das 29 mortes, 16 foram de mulheres trans e 1 homem trans. Os números são baseados apenas nos casos que tomaram repercussão na mídia, ou seja podem ser superiores. 

Diante destes casos fatais e de tantas outras denúncias de violência transfóbica, sejam elas morais e físicas, bem como o desrespeito à identidade de gênero, ao nome social, o abandono escolar e alta taxa de desemprego como reflexo do preconceito, será realizada no dia 19 de maio, às 18h30, uma Audiência Pública na Câmara Municipal de São Paulo.  

Intitulada “População trans: Políticas Públicas e Violação de Direitos na Cidade de São Paulo”, a audiência pretende discutir a realidade da população de travestis, homens trans e mulheres transexuais, propondo caminhos para politicas públicas e problematizando as constantes violações de direitos no exercício da cidadania plena dessa população nos limites do município. 




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Intermediada pela CAIS – Associação Centro de Apoio e Inclusão Social de Travestis e Transexuais – e ILADH – Instituto Latino Americano de Direitos Humanos, a audiência é resultado da 1ª Caminhada Pela Paz: Sou Trans e Quero Dignidade e Respeito, realizada no dia 30 de janeiro deste ano. Ela reuniu mais de 1.500 pessoas na Av. Paulista e terminou com a solicitação da audiência ao vereador Toninho Vespoli.

Vão participar da audiência o militante trans Alexandre Peixe, a professora transexual Paula Beatriz, a presidente da Cais Renata Peron, Alessandro Melchior (Transcidadania/ Prefeitura de São Paulo), o presidente do Iladh Dimitri Sales, o secretário da pasta de secretaria municipal de direitos humanos Felipe de Paula, além de Zilda Vermont, a mãe da jovem Laura Vermont. Também foram convidados a Defensoria Pública do Estado de São Paulo, a GCM, Policia Militar, Policia Civil.

"Você não precisa ser trans ou LGBT para apoiar a causa. Você apoia entendendo que é um tema importante para a garantia dos direitos da nossa comunidade. A participação de todos é muito importante para traçarmos juntos caminhos e políticas em prol da nossa população", afirma Renata Peron.

Segundo a organização não governamental Transgender Europe, o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais no mundo. Entre janeiro de 2008 e março de 2014 foram registradas 604 mortes no país. E a expectativa de vida, segundo especialistas como o psicólogo social Pedro Sammarco, autor do livro Travestis Envelhecem, é de 35 anos. Pouquíssima frente aos 75,2 dos demais brasileiros.

Confira alguns vídeos: 







About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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