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Grupo monta “Dicionário de Gêneros” na rede e várias identidades se autodefinem



Por Neto Lucon

Muita gente ainda se embaralha no momento de saber ou definir as várias identidades que existem, além de homem e mulher. Muitos sequer sabem o que significa “cisgênero” – ou seja, o que pode representar a maioria da população - quanto mais as identidades trans.

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Pensando nisso, o grupo cultural Afroreggae resolveu montar um dicionário de gênero. E quem ajuda nas várias definições são as próprias pessoas que as vivem: ou seja, mulheres transexuais, homens trans, travestis, pessoas não-binárias, agêneros, pangêneros...

O dicionário – que pode ser visto virtualmente clicando aqui – conta com 60 definições e interpretações particulares de gênero. Grande parte acaba sendo bastante subjetiva e individual, como as identidades são construídas mesmo, e partem do conceito de “só quem sente pode definir” o que se é.



(Obs: tá faltando a definição de travesti lá).

Há também definições em vídeo de pessoas de grande representatividade dentro da comunidade T, bem como a cartunista transgênero Laerte Coutinho, a militante transexual Bárbara Aires e o escritor e psicólogo João W Nery, considerado o primeiro homem trans a passar por uma cirurgia no Brasil.

Para quem ainda não sabe como lidar com pessoas não-binárias ou agêneras, o site também sugere alternativas para incluir o grupo na língua portuguesa. “A gente se sente invisível e inexistente, sabendo que não tem nem palavra pra mostrar como a gente é“, diz o estudante não-binário Oliver Costa.

O trabalho instiga ao querer desvendar o que está além da compreensão binária. Mas mostra que, em se tratando de identidades conhecidas ou não, os relatos - ainda que em primeira pessoa - não estão aí necessariamente para explicar em definitivo. E, ao ver tantas definições, você pode ficar ainda mais embaralhado, porém maravilhado com a infinitude da palavra diversidade e as possibilidades de identidades.


Confira alguns vídeos:







About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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