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Luto: Travesti de 20 anos que levou tiro na cabeça morre após três meses internada

Após ter levado um tiro na cabeça durante o Corso e ter saído do coma há três meses, a travesti Pâmella Leão, de 20 anos, morreu por volta da meia-noite desta terça-feira (3) no Hospital de Urgência de Teresina.

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A diretoria da HUT informou que Pâmella, saiu do coma no início de março, voltando a falar e a recuperar movimento. Porém, duas semanas depois, ela passou por uma cirurgia para a implantação do dreno na cabeça por ter hidrocefalia, e voltou ao coma.

“Depois dessa nova intervenção, o quadro dela só foi piorando e a paciente não saiu mais do coma”, declarou Gilberto Albuquerque, diretor do hospital. A causa da morte, segundo o HUT, foi falência múltipla de órgãos.

Familiares de Pâmella foram avisados sobre a morte e o corpo foi levado para o Instituto Médico Legal, onde passou por perícia médica. O velório ocorreu nesta terça-feira. Amigos e familiares fizeram homenagens no Facebook de Pâmella. 

O TIRO E A 1ª SUSPEITA

Pamella levou um tiro durante o Corso, evento do qual estava dançando ao lado de amigas.

Entre os primeiros suspeitos estava um subtenente da Polícia Militar, cujo nome não foi divulgado. Ele trabalhou no evento e registrou um boletim de ocorrência por ter sofrido um assalto no dia da festa e ter perdido a arma.

O delegado Adelmar Canabrava, o primeiro a investigar o caso, declarou que o policial só registrou o boletim três dias depois do evento. 
“Ele afirma que foi trabalhar no Corso e diz que essa arma sumiu, mas ele não registrou o caso no domingo e nem segunda. Só foi registrar o desaparecimento na terça-feira, quando o caso da travesti já estava noticiado em toda a imprensa e todo mundo já estava sabendo”, afirmou o delegado.

NOVA SUSPEITA

Agora, as investigações apontam que uma das amigas de Pâmella, que é uma travesti e tem 16 anos, pegou a arma de um homem que estava próximo do local, começou a brigar com o revólver e o tiro na cabeça da amiga ocorreu de forma acidental.

O delegado Willon Gomes, titular do 12º Distrito Policial, declarou que o relato de Pâmella seria fundamental para o caso, mas que ele não havia sido feito pelo estado de saúde crítico da travesti.

 Willon, todavia, diz que a autoria do disparo já foi comprovado, que a amiga teria assumido o disparo e que o processo de lesão corporal grave encontra-se na Delegacia do Menor Infrator. "Com o óbito, a acusação da menor se agrava e será transformada em lesão corporal grave, seguida de morte", declarou.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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