Pop e Art

“Mulheres em Série” ecoa sororidade, poder da mulher e investe em artistas trans



Por Neto Lucon

Machismo, misoginia, estupro, lesbofobia, transfobia, invisibilidade... Num período em que as opressões insistem em latejar diariamente, vários coletivos respondem, discutem e reagem para transformar a sociedade. O projeto artístico “Mulheres em Série” é um desses gritos abafados, que surgem na urgência e que ecoam sororidade.

+ "Muitos daqueles que nos criticam são os que nos procuram à noite"


Trata-se de uma websérie da Criarte que aborda personagens, vivências e discursos de mulheridades em suas variadas formas, vivências e possibilidades: gordas, negras, lésbicas trans (...). Têm o objetivo de desmistificar a padronização e invisibilização da mulher e criticar o espaço em que a mídia e a sociedade insistem – vide “bela, recada e do lar”.

O título em si – “Mulheres em Série” – surge como uma provocação. Tanto que a diretora de arte Maitê Sanchez diz ser uma evidente ironia à produção de peças como acontece nas fábricas. “É uma crítica à padronização da figura feminina que vemos no cinema comercial, na TV e na publicidade, e que cria modelos ideais de exclusão”, declara.

No primeiro episódio, divulgado na última semana, uma jornalista tem a delicada função de entrevistar uma mulher vítima de estupro e preconceito social. Uma mulher lésbica conversa com o pai sobre dependência química na mesa de café da manhã. Uma chefe de obra enfrenta o desafio de lidar com o funcionário machista. Além de um casal formado por mulher e homem trans que aborda o tema da adoção.

PERSONAGEM CIS, ATRIZ TRANS


Aliás, a série também tem a proposta de abrir espaço para artistas trans – bem como o homem trans Samuel Silva e as mulheres transexuais Ana Victoria Laysa Carolina Machado, que na contramão das produções aparece interpretando uma advogada cis.

“Esse é um espaço praticamente inacessível para o homem e a mulher transgênero. Não existe essa inclusão no audiovisual de hoje. A opção da série é mais uma afirmação do nosso papel de fugir à normatização do universo e das trans”, afirma a diretora Renata Freire.





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Laysa comemora ao NLUCON a sua mais nova personagem: "Juliana é uma mulher cis e, para interpretá-la, inspirei-me na atuação da Clarie do House of Cards. Ela é cheia de maldades, uma vilã preconceituosa, transfóbica, racista e classista. Ela aproveita do cargo para diminuir a personagem da atriz Ana Vitória, que é uma mulher transexual transcionando. É um desafio estar do outro lado, ou seja o lado do opressor". 

Um projeto mais que importante e interessante. É necessário. Lembrando que a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas no Brasil (Fundação Perseu Abramo). Que a cada dois minutos, uma mulher sofre abuso ou violência sexual. Fora que ainda hoje as mulheres ocupam apenas 10% das cadeiras de deputados federais e que recebem 30% a menos que os homens (Banco Interamericano de Desenvolvimento). 


Vamos assistir, refletir e discutir?


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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

dallas silvia disse...

Muito lindo de assisti meus parabens

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