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No Brasil, há 263 mulheres cis chamadas Laerte e 44 homens cis chamados Tammi



Por Neto Lucon

Chegou a hora de a cartunista travesti Laerte Coutinho e do homem trans Thammy Miranda terem uma excelente resposta quando perguntarem o motivo de não terem mudado o nome, após passarem pela transição de gênero. Simples, os nomes estão avessos às normas binárias e engessadas de gênero. 


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De acordo com o levantamento nacional de nomes brasileiros, divulgado pelo IBGE, há 264 mulheres cis que foram registradas com o nome Laerte. É evidente que o nome em homens é mais comum – 15.372 – mas derruba o mito de ser um nome estritamente masculino.

O mesmo ocorre com Thammy, que ao ser escrito sem "h" e com o final “i” encontra-se 44 homens cis registrados em todo o Brasil. E, para quem pensa que mulheres são a maioria, engana-se: há 43 mulheres cis chamadas Tammi. Outra versão do nome, Tami, também conta com 29 homens cis registrados.

No Brasil, há 132 homens cis com Rogéria no nome, em contraponto as 13.861 Rogérias mulheres cis. Já Tereza está na vida de 603 homens cis, contra 219.219 mulheres – dentre elas, a Tereza Brant, que descarta a lógica de rótulos.

Pois é! Em relação a nomes, cobranças sociais e suas divisões por gênero, ainda temos muito o que aprender sobre o que ocorre na teoria, na vida prática e também nos cartórios.

Obs: essa nota não pretende minimizar a busca legítima da mudança do nome. Ao contrário, reafirmamos que a luta é para que haja respeito e facilidade nessa mudança (inclusive a de retificação de sexo) para quem deseja por meio de leis como a PL 5002. O direito ao nome é individual e cada um deveria ter o direito de decidir, seja para modificá-lo ou mantê-lo, independente das cobranças.   

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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