Pop e Art

O dia em que o NLUCON teve um encontro inusitado com Cher






Por Neto Lucon

Britney é princesa, Madonna é rainha, mas
Cher é a DEUSA do pop. E comemora nesta sexta-feira (20) os seus 70 bem vividos aninhos. Toda em forma, talentosa, com carreira marcada na história, repleta de prêmios em todas as artes. E extremamente carinhosa com todos os fãs.

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Assistir a uma performance da artista é um sonho de muitos LGBT – sobretudo aqueles que acompanham a carreira ao longo dos anos e que patinam na aposentadoria desde 2005 com o The Farewell Tour. Estar diante dela em carne e osso é algo que muita gente sequer cogita. Eu também não, até que aconteceu.

Em junho do último ano, durante a vinda de Cher ao Brasil para participar da amFAR, fundação para pesquisas referente a aids, tive um contato inusitado e impensado com a artista. E o mais incrível é que ocorreu dentro do luxuoso hotel em que ela estava hospedada na Rua Oscar Freire, em São Paulo. O gerente informou que foi a primeira vez que uma artista internacional recebia fãs lá dentro.

Até então, estava angustiado por estar trabalhando e não ter tempo disponível para, assim como outros fãs, fazer campana e arriscar alguma aproximação. Cher havia chegado numa quinta-feira (9), se hospedou na Oscar Freire e fez pontuais saídas. Em das entradas no carro, deixou ser fotografada com alguns poucos fãs. E só. Nenhuma expectativa de atender mais gente havia sido repassada.

NÃO É A CHER, É O CHAY

Na quinta, ela visitou o SP-Arte no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. Já na sexta-feira (10) ocorreu o jantar da amFar. Esteve linda, charmosa e fez um discurso emocionado. “Há 30 anos, morei em Las Vegas e existiam rumores de câncer gay e eu não sabia o que era. Aí vi que crianças também morreram e vi que não era câncer gay. Já perdi tantas pessoas que amei e é, por isso, que luto contra a aids”.

Após assistir e ler as notícias, chorei pela impossibilidade de estar próximo. E tive o impulso de ir sozinho na manhã de sábado (11) à procura de Cher. A fanpange Cher Brasil não dava muitas informações. E todos os fãs com quem conversava na internet diziam que ela já havia ido embora. Como não vi nenhuma postagem no Instagram, segui o instinto e fui ao encontro da diva.




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Em frente ao hotel, estavam 15 pessoas. Diziam que a Cher já havia ido embora e que aguardavam o ator brasileiro Chay Suede. Estranhei e permaneci. Convenci-me de não perder a viagem e pegar o contato da assessoria do Chay - o ator mesmo - e marcar uma futura entrevista. Afinal, na época ele interpretava o filho de duas senhoras lésbicas na novela “Babilônia”, da TV Globo, e poderia render uma boa pauta.

Após me misturar ao grupo, sou informado de que tudo era uma grande mentira, que Cher continuava lá. E que existia a expectativa de ela receber todas as pessoas – que passaram pelo menos três dias seguidos lá – dentro do hotel. Não existia a garantia de que ela fosse receber todos. E quanto menos pessoas, mais a certeza de que todos seriam atendidos. Ansiedade até o último minuto.

SUPER CHER

Munidos de CDs, discos, fotos e afins, os grupos foram encaminhados de cinco em cinco para dentro do hotel. Eu não havia levado nenhum dos meus CDs ou fotos da artista e estava munido apenas do celular com a bateria em 10%. Desespero! E ainda sou avisado que qualquer excesso de qualquer pessoa ocasionaria na interrupção do encontro.

Fui na quarta leva, o que gerava certa expectativa e incerteza se conseguiria chegar. Encaminharam todos para uma grande sala de eventos. Orientaram a fazer silêncio absoluto. E preparam a chegada de Cher. No canto, estavam várias toalhas brancas, uma jarra de água, uma jarra de suco de laranja, uma jarra de suco de açaí. E nada da diva.




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Durante a espera, fiquei lembrando de todos os amigos e amigas que curtiam a cantora – do convite da Viviany Beleboni de fazer campana no hotel, e que eu, por conta do trabalho, tive que rejeitar na quinta e sexta (desculpaaa!) – e das músicas que dancei e chorei escutando. Pensei no momento em que estava lendo aquelas reportagens e chorando em casa e até esse inusitado encontro. Sim, existe vida após o amor! E também deveria existir Cher por detrás daquela porta.

“Hello”, disse ela, após dois funcionários abrirem as duas portas do salão, atraindo toda a atenção. Estava toda básica, com um macacão, óculos de sol imenso e a incrível pose de diva. Fiquei vidrado, coração disparado e suor frio pingando. Uma criança que conseguiria ver a sua super-heroína.

CHER E CHAZ

O contato era rápido, mas muito próximo e carinhoso. Cher trocava frases com cada pessoa. Ria, fazia perguntas e respondia. Autografou inúmeros braços (as pessoas depois fizeram tatuagens em cima) e se mostrava interessada naquilo que as pessoas traziam para ela – e surpresa de ter fãs brasileiros. Enfim, chegou a minha vez.

Cher sorriu docemente. Não consegui ficar de olho se a grande cabeleireira preta era peruca ou natural. Só sei que senti um perfume incrível – que eu nunca mais senti até então – e que consegui dizer algumas poucas palavras em inglês enquanto ela autografava um papel.

“Cher, o Brasil te ama. Você é uma diva importante para a comunidade LGBT brasileira. E o seu apoio ao Chaz é muito importante para todas as famílias de homens trans”. Ela parou para prestar atenção no que eu estava falando, com um inglês bem limitado, diga-se de passagem, e sorriu. “Sim, está certo. Estou muito feliz com a visita e com o Chaz, obrigada”.

Vale lembrar que a mídia noticiou que o início foi complicado para Cher entender a transexualidade do filho, que revelou ser homem trans aos 40 anos. Mas depois de boas conversas, ela o respeitou e até o defendeu em um reality show de dança em que ele participava: "Eu posso ensinar bons modos a ele. Pode criticar o estilo de dança, os movimentos do Chaz, mas não faça piada do meu filho na TV", disse na época. Vrááá!


Tiramos a foto – uma única, o próprio grupo que ficou responsável pelo encontro é que registrou o momento - e ela deu um ligeiro e quase imperceptível toque na mão do segurança, que já me levou para onde estava todo o grupo. Ainda ficamos um tempinho lá, até que ela atendesse todo mundo e prometesse voltar ao Brasil para um show. Detalhe: ela sequer tocou na jarra com água, suco de laranja e açaí.




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Voltei para casa nas nuvens e extremamente agradecido pela oportunidade de ver essa grande estrela em vida. Um momento que ficará marcado para sempre e que carrego como prêmio em uma foto em minha sala. Sendo diva e não tendo nada mais a provar, Cher não decepcionou. E isso a torna ainda mais incrível.

Agora, sim, posso cair no clichê: Feliz aniversário, muitos anos de vida e que você seja SEMPRE ASSIM, uma Deusa. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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