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“Travesti crucificada”, Viviany Beleboni fala sobre nova performance na Parada LGBT



Por Neto Lucon

A modelo e atriz Viviany Beleboni – que ficou conhecida mundialmente como a “Travesti Crucificada da Parada LGBT de 2015” – se prepara para uma nova manifestação neste ano. De acordo com ela, o novo ato volta a falar sobre o fundamentalismo religioso e a tentativa de barrar os direitos da população LGBT - sobretudo os das pessoas trans, que é tema deste ano.

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“Ainda não posso dar detalhes sobre a performance, pois aposto no efeito surpresa. Mas adianto que vou representar a "Justiça" entre aspas, com um elemento que faz com que não consigamos avançar nos direitos humanos dos LGBT, no projeto de lei de Identidade de gênero, entre outros”, declara Vivi com exclusividade ao NLucon.

Ela afirma que a ideia partiu depois de passar um ano conturbado, sendo vítima de ataques transfóbicos e vendo de perto como o preconceito baseado no fundamentalismo religioso ultrapassa toda e qualquer mensagem de amor e aceitação, e invadem desde a vida social até a política. Detalhes sobre o figurino, material e o que fará são guardados a sete-chaves.   


Viviany afirma que desde que foi crucificada na Parada tem sido obrigada a saber administrar os prós e contras em sua vida pública e privada. “O lado negativo foi a deturpação promovida por um político fundamentalista, que até hoje me rende ataques nas redes sociais. E o lado positivo foi ter finalmente conseguido levar o tema da transfobia para o debate, seja nas escolas, seja na mídia, seja na própria Parada”.
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Foto: Marcelo Parmeggiani


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Profissionalmente, ela afirma que não interferiu em nenhum aspecto. E diz que a falta de oportunidade é um reflexo da transfobia que já enfrentava antes da performance. Ela relatou diversos testes que fez ao lado de outras travestis e mulheres transexuais e que todas eram preteridas às mulheres cis ou homens montados.

“Recentemente, passei por um teste para uma propaganda e, por mais que houvesse a tentativa da produção em me escalar, o diretor barrou e disse que uma travesti não passaria a seriedade que eles esperam. Ou seja, as pessoas não dão oportunidade para travestis e transexuais mesmo, então não tenho como culpar a performance da crucificação”, lamenta. 


POLÊMICA DO TRIO

Neste ano, o trio da ONG ABCD’S – em que Viviany está acostumada a desfilar e que foi o responsável por levar a performance no último ano – não existirá. Enquanto o presidente da Ong Marcelo Gil diz que ele foi penalizado por ter feito a performance da crucificação, a organização da APOLGBT afirma que se trata de uma unificação de todos os trios, decidido em votação durante as reuniões.

“A organização informa que a proposta foi decidia em reuniões aberta ao público nos último sete meses e que a ideia é aumentar a visibilidade do tema do evento, a qual era prejudicada por trios elétricos independentes, seja de empresas, seja de Ongs", diz o comunicado.


Sem o seu "trio oficial", Viviany foi transferida e fará a performance no trio da militância. “Esse ano a Parada tem a proposta de ser mais politizada, com a participação de todos e focada no combate à transfobia. Tanto que todos os trios deixaram aquela coisa individual, com fotos dos donos dos trios ou de suas empresas e ongs, e terão todos a letra T e frases de empoderamento”, declara ela.

TEMA É LEI DE IDENTIDADE DE GÊNERO

Marque aí: a Parada do Orgulho LGBT ocorre no dia 29 de maio na Avenida Paulista. O tema deste ano é: "Lei de Identidade de Gênero Já - Todas as pessoas juntas contra a transfobia". 


Neste ano, a atriz diz que espera que sua performance volte a provocar e que a mensagem seja passada corretamente. “Espero que as pessoas passem a refletir sobre esse momento político em que estamos vivendo. E que projetos como a PL 5002 – a lei de identidade de gênero – e outro que criminalize a homofobia e a transfobia sejam aprovados com urgência no Brasil. Afinal, decreto de nome social não é suficiente para uma vida digna e com respeito”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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