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Viviany Beleboni anuncia que NÃO vai mais participar de Sense8 e aponta transfobia



Por Neto Lucon

Presença brasileira mais aguardada em Sense 8, a modelo e atriz Viviany Beleboni - travesti que no último ano marcou ao se apresentar crucificada na Parada do Orgulho LGBT de SP  anunciou na noite deste sábado (28) que não irá mais participar da segunda temporada da série norte-americana do Netflix, que está sendo gravada em São Paulo.

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Ao NLUCON, ela revela sentir-se vítima de transfobia. E mostra os prints das conversas que teve com a produção por meio do whatsapp.

“O convite ocorreu por parte deles e eu fui aprovada. A produtora disse que todos estavam animados por eu ter aceitado gravar a série e iriam até usar a minha história na Parada”, declara. “Depois, sem motivo algum, começaram a colocar empecilhos na participação, a serem grosseiros, até que eu tive que desistir”.

Nos prints enviados, é possível ver que Viviany foi convidada no dia 13 abril , aprovada no dia 20 de maio e que o cachê oferecido foi de R$300 bruto ou R$195 líquido para as filmagens dos dias 28, 29 e 30 deste mês. A gravação principal seria no dia da Parada do Orgulho LGBT no domingo, com outras duas gravações previstas no aeroporto e também em um restaurante.




Porém, após outro produtor brasileiro ter tomado frente, ela alega que passou a sentir o preconceito. “Além de não me atender, ele começou a colocar barreiras para que eu não participasse. Disse, por exemplo, que eu deveria escolher entre fazer a performance na Parada ou participar da série. Respondi que havia me preparado o ano inteiro para a Parada e que, pelo horário das duas, daria tranquilamente para gravar. Mas ele não quis. Quando falei que as pessoas estavam esperando a minha participação, ele foi grosseiro e debochado, falando que ficaria feio para mim, e não para a série. Argumentei que ocorreriam outras gravações, mas ele rebateu que todas já haviam sido canceladas. Quando meu assessor ligou, o número foi bloqueado”, revela.

Viviany concluiu ter sido vítima de transfobia quando soube por meio de um amigo, que é modelo e participou da figuração, que na sexta-feira (27) foi gravada, sim, uma cena no aeroporto e que, no sábado (28), foi realizada outra no restaurante e em um espaço que simula a Parada. “Ou seja, esse produtor mentiu e fez de tudo para que eu não participasse e eu não entendo o motivo. Não nos conhecemos e não tivemos nenhum problema. Esse tipo de boicote transfóbico é muito comum com quem é trans e está prestes a conquistar um trabalho. O que me deixa mais triste é que ele faz parte da sigla LGBT e mostra o quanto somos desunidos”, declara.
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A atriz diz que só resolveu falar porque há grande expectativa dos fãs após a mídia ter noticiado. Ela defende também que as exigências não partiram da diretora trans Lana Wachoski e que ela certamente não sabe do episódio. “Muitas pessoas estão esperando por essa participação, mas por conta de um preconceito banal não vai acontecer. Perde a série, perde o público e perde sobretudo as travestis e mulheres transexuais brasileiras”.

Viviany afirma que manterá a sua performance neste domingo (28) no trio da Militância. E quem vem mais uma vez alfinetando o fundamentalismo religioso, que impede que as leis pró-LGBTs sejam aprovadas. Neste ano o tema é Lei de Identidade de Gênero, baseada no PL 5002/2013 a Lei João Nery, que visa dentre outros direitos facilitar a mudança de nome e gênero da comunidade trans. 

Procurada, a assessoria do Netflix não foi encontrada até o fechamento desta reportagem.


Athena Joy, Tchaka, Alexa Marie e Viviany Beleboni na Feirinha da Diversidade, em SP

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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