Pride

Alunos de Direito recebem texto de Daniela Andrade sobre advogados transfóbicos




Por Neto Lucon

Após ser vítima de preconceito nas redes sociais, a transfeminista Daniela Andrade
 escreveu um texto em que denuncia advogados e advogadas que dizem lutar pelos direitos humanos, mas que na verdade são transfóbicos. E a mensagem acabou indo parar nesta semana nas mãos de universitários do curso de Direito da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), em Niterói, no Rio de Janeiro.

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Na mensagem, Daniela pede para que todas as vezes em que advogados disserem que defendem os direitos humanos, as pessoas perguntem se eles incluem as travestis, mulheres transexuais e homens trans neste grupo de humanos. E se eles respeitam a identidade de gênero dessas pessoas.

“Não é raro encontrar aqueles e aquelas que, nos grupos humanos, só incluem mesmo as pessoas cisgêneras. Então cuidem-se não faltam advogados e advogadas transfóbicas que, não só não lhe ajudarão, como irão ser agentes do preconceito. Cuidem-se por que cisativistas radicais também podem ser advogadas, e elas estão alinhadas ao fundamentalismo religioso”, escreveu.

O texto foi utilizado e distribuído durante um dos Seminários temáticos que ocorreu nesta semana, levantou discussões e foi elogiado pelos universitários. "Muito bem redigido, foi um prazer usá-lo em nosso trabalho", escreveu a universitária Aline Aguiar. "Texto sensacional! Obrigada por tudo, aprendi muito com vocês", concordou Carollina Velasco.


Leia na íntegra:




TRANSFOBIA E TRANSFOMAÇÃO


Recentemente, Daniela foi vítima de vários ataques transfóbicos por criticar ativistas cis que utilizam do preconceito e do atual debate sobre estupro para justificar o repúdio que sentem por travestis e mulheres transexuais, inclusive questionando se elas devem utilizar o banheiro de acordo com a identidade de gênero. Um deles, que mobilizou a rede social, foi de uma advogada que diz ser defensora dos direitos humanos. Ela chegou se referir à Daniela com um nome masculino e utilizar artigos e pronomes masculinos.

A transfeminista prefere não comentar o episódio - afinal, ele só sinaliza um problema recorrente e comum em cisativistas - e afirma ao NLUCON que o apontamento posterior foi justamente para alertar as pessoas trans e travestis de que nem todo profissional que diz defender os direitos humanos realmente tem essa preocupação com a população trans.

“Nesse grupo há quem divide o grupo dos humanos que vai defender e o grupo dos humanos que vai invalidar, discriminar ou ostracizar. Frequentemente acham, por exemplo que travestis e transexuais se tratam do grupo gay e aí pautam como se as necessidades dos homossexuais fossem as mesmas que as nossas. Ou então, em casos extremos, discriminam deliberadamente, pois não é por que a pessoa se formou em direito que ficou livre de todos os preconceitos”, defende.

Sobre o texto ter chegado aos alunos de Direito, Daniela agradece à militante Bruna Benevides e outras ativistas trans e destaca a importância do diálogo. “É preciso que estudantes de direito se formem e sejam profissionais conscientes de que é preciso falar de transfobia. É preciso falar nos direitos humanos das pessoas trans, é preciso se conscientizarem de que o grupo de pessoas trans e travestis está degraus abaixo em todos os aspectos quando o assunto são direitos humanos. Sobretudo num país em que sequer direito de defecar e urinar nos é garantido, está em suspenso no STF a ação que o validará”.

SEMINÁRIO TEVE PRESENÇA TRANS

A coordenadora do Grupo Transdiversidade Niterói, Bruna explicou que foi convidada para auxiliar no trabalho dos universitários no seminário referente à população Trans. E que, ao lado de alunos do PreparaNem, foi assistir a apresentação.

"Isso é muito importante na visibilidade das pessoas trans ao entrar em uma faculdade e serem vistas - e se verem - naquele espaço formado de uma universidade particular, com pessoas de classe média, evangélicos e LGBs. O panfleto com o texto da Daniela foi entregue à todos e todas e ficou à disposição na entrada da faculdade. Foi lindo", conta.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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