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Após faloplastia, homens trans de 41 anos fala sobre 2ª primeira vez: “Assustadora e incrível”


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O homem trans Jay Murray, de 41 anos, tornou-se notícia em todo mundo após relatar ter passado pela faloplastia – ou seja, a cirurgia que construiu um pênis – e a vida sexual pós-operatório. Em entrevista ao Daily Mail, ele – que é de Bournemouth, na Inglaterra - revelou ter tido a sua segunda perda de virgindade.

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“Eu me sinto pleno e feliz. É a primeira vez que transei novamente, após ter me tornado virgem de novo. Foi assustador e incrível. Você tem que reaprender sobre si mesmo e o seu corpo”, declara.

Jay, que foi designado mulher ao nascer, revela que desde a mais remota memória sabia que era bem diferente das mulheres cis. Mas que não sabia o nome dessa diferença. Aos 19 anos, assistiu a um programa de televisão sobre transexualidade e a ficha caiu: não era mulher. É um homem trans.

A luta pela sua verdadeira identidade de gênero, contudo, demorou até os 33 anos. Foram várias tentativas de ser empurrado para o armário, mas em 2009 ele finalmente passou a receber auxílio médico e a aplicar hormônios masculinos. Foi uma libertação. "A minha voz começou a engrossar e os pelos do corpo começaram a crescer, juntamente com a minha confiança”, declara Jay.

"Foi uma grande decisão e eu estava pronto"
Depois, em 2010, decidiu passar pela cirurgia masculinizadora de tórax, a histerectomia (a retirada dos órgãos reprodutores internos) e mais recentemente a faloplastia (a construção do pênis). “Eu odiava tanto as mamas que, quando passei pela cirurgia, saí imediatamente sem camisa pelas ruas”.

TER UM PÊNIS

A cirurgia de faloplastia foi realizada no Centro de Andrologia do St Peter, em Lodres, e utilizou a pele do antebraço dele. “Foi uma grande decisão, porque uma vez que você começa não tem como voltar. Eu estava absolutamente pronto”, revela.

O médico Nim Christopher, um dos maiores especialistas em reconstrução peniana da Universidade College London Hospitals, afirma que a cirurgia consiste em ter um pedaço de tecido ainda intacto (em termos de nervos, veias e artérias), transformar esse pedaço em um tubo e colocá-lo dentro da uretra.

As peles mais comuns utilizadas são as do braço ou da coxa. O tecido é então transplantado para a área da virilha, deixando os nervos, artérias e veias ligados. “A cirurgia plástica é realizada para que o pênis transplantado tenha a aparência de um pênis circuncidado”, declara.

O médico informa que, se o paciente deseja ser sexualmente ativo, ele pode passar por uma cirurgia específica que consiste em ter um dispositivo que possa bombear o pênis implantado. “Dois cilindros são colocados no tecido e eles estão ligados a uma bomba no escroto. Espremendo a bomba, ela enche os cilindros com o líquido. A técnica pode ser muito bem-sucedida”.

Vale ressaltar que a técnica foi criada inicialmente e é utilizada para homens cis que apresentam disfunção erétil. Mas que também passou a ser adotada para homens trans.
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Ao acordar, Jay afirma que percebeu ter “algo” entre suas pernas. “Eu me senti nervoso e animado, eu não podia acreditar que estava acontecendo, colocando as coisas certas nos lugares certos”.

NO BRASIL


Em recente relatório "Transexualidades e Saúde Pública no Brasil", da Universidade Federal de Minas Gerais, foi constatado que 73,91% dos homens trans não fizeram a neofaloplastia e não querem fazer. E 26,09% não fizeram, mas desejam fazer.

Já a metoidioplastia (construção de neopênis a partir do clitóris) tem maior adesão: 53,80% dos homens trans querem passar pela cirurgia. E 46,20% não fez e não quer fazer.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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