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Após polêmica. Oscar do Pornô brasileiro muda e inclui categoria “transexual”

Hilda Brazil concorre a "melhor cena transexual"

Por Neto Lucon

A mais nova edição do Prêmio SexHot, considerado o Oscar do pornô brasileiro, decidiu mudar em 2016 e incluir categorias específicas para atrizes travestis e transexuais de filmes adultos para a premiação que ocorre no dia 28 de junho.

+ Confira entrevista com Bruna Castro, a brasileira que venceu o Oscar do Pornô Trans 


No último ano, eles até incluiram atrizes trans na categoria LGBT, concorrendo ao lado de mulheres cis lésbicas e homens gays cis. E causaram polêmica, pois acabou não premiando nenhuma atriz trans – fato que as atrizes e os produtores atribuíram ao preconceito.

“O problema do Brasil é a sua bolorenta visão machista de tudo. As trans brasileiras são as mais belas, femininas e atraentes do mundo. Homens que curtem feminilidade podem sentir-se desconfortáveis ao se ver atraído por uma trans e votar nela (quando estiverem concorrendo ao lado de mulheres cis). Mas sempre defendo que se sentir atraído por uma mulher trans não faz de ninguém menos hétero”, declara o diretor Louie Damazo.

Ele, que produz o conteúdo com as atrizes trans para a produtora Panda, defende e comemora a divisão das categorias LGBT para “transexual”, “homossexual” e “lésbica”, em comum acordo com as demais atrizes. “O mercado é totalmente distinto, pois geralmente quem curte mulher trans não curte homem gay. Não dá para colocar tudo na mesma categoria e querer que as pessoas avaliem”.

Hilda Brasil, que é atriz pornô há 10 anos e que tem mais de 150 cenas, revela que também considerou injusta a categoria LGBT mista no último ano, pois se trata de públicos totalmente diferentes. “O fato de eles terem acatado os pedidos e ramificado a premiação LGBT mostra que estamos tendo mais visibilidade no meio. Eles estão de parabéns e sabem que filmes trans vendem até mais que filmes héteros (cis) e gays”.
Louie Damazo na premiação de 2015: "Homem que curte trans geralmente não curte homem gay"

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Vale ressaltar que, fora do Brasil, há um mercado e premiações específicas para avaliar os filmes produzidos por trans, bem como TEA (Transsexua Erotic Awards), promovido pela Grooby Productions, que há 15 anos produz filmes pornôs com travestis e mulheres transexuais. E o Tranny Awards, que em 2014 premiou a brasileira Bruna Castro.

AS CONCORRENTES

Neste ano, concorrem ao título de “melhor atriz transexual” pela votação do público as atrizes Bruna Butterfly (Panda - foto abaixo), Sheyla Wandergirlt (SampaSex) e Adriana Rodrigues (XVortex).

Já o júri técnico avalia a melhor cena transexual, que traz Carla Novaes, Walkiria Drummond e Hilda Brasil (Panda), o filme TrannyBrazil (SampaSex) e Nathaly Gomes e Enzo Rios (XVortex).

“Fico feliz por ter sido indicada na melhor cena trans, mas não me preocupo em vencer. O importante é estar lá e prestigiar a festa”, diz Hilda. “A festa é bacana, os organizadores se empenham em nos garantir um espaço adequado e respeito. Se ganhar ótimo, se não já valeu a disputa”, concorda Damazo.

A travesti Carol Penelope (Panda) também disputa a categoria LGBT ao lado de Andy Star (Hot Boys), um filme gay, e Grazzie (XPlastic) de conteúdo lésbico.

Curiosamente, o ator pornô Kampfer (XVortez) concorre ao título de “ator pornô homo”, mesmo fazendo uma cena com uma travesti. Ele disputa o título com Andy Star (Hot Boys) e Danilo Prates (Sacanagens gays), que na cena transam com outros homens.

VOTOS

A votação do público está aberta até o dia 24 de junho – você pode votar clicando aqui. A cerimônia de premiação ocorre no dia 28.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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