Pride

Atraídas pelo menor preço, mulheres transexuais vão para a Índia para redesignação genital



.
A Índia vem se tornando um dos países que começam a receber mulheres transexuais e homens trans estrangeiros para a cirurgia de redesignação sexual (vulgarmente conhecida como mudança de sexo). E querem conquistar e mudar o destino dos pacientes trans que pensam em ir para a Tailândia. Quem informa é a agência de notícias AFP.

+ Índia reconhece terceiro gênero de trans e enucos; saiba o que significa

De acordo com a reportagem, o motivo para que o número comece a crescer é devido ao preço mais barato da cirurgia. E também sobre uma técnica própria, que ainda não há tantos relatos sobre o resultado.

“Aqui, o preço é acessível”, afirmou a norte-americana Betty Ann Archer, de 64 anos, que pagou 6.000 dólares para a cirurgia no Olmec Centre, ou seja, o quinto do que teria pago nos Estados Unidos. Ela se operou em Nova Délhi e afirma ter adorado resultado.

A violonista britânica Rosy Mica Kellett (foto), de 50 anos, afirmou ter pagado 14.000 libras (ou 20.500 dólares). “É muito mais barato aqui, e inclusive mais do que na Tailândia”, declarou ela. Ao comentar o que achou do resultado, ela garante: "Queria o melhor e consegui". 

O CIRURGIÃO

O cirurgião Narendra Kaushik, que é fundador da Olmec, afirma que costuma operar 200 pessoas transexuais todos os anos, sobretudo indianas. Mas alega que estrangeiras dos EUA, Reino Unido e Austrália começam a aparecer com frequência.

Ele afirma que a busca é pelo melhor custo e também pela qualidade e cuidados médicos. Pagando no máximo 22 mil dólares, o consultório oferece tratamento, alojamento, transporte do aeroporto e acompanhamento pós-operatório, que tem dias de compras e visitas turísticas.

"Esta comunidade (transexual) está muito conectada no mundo. Se ficam contentes com os serviços na Índia, fazem a notícia correr", explica o doutor Kaushik. Ele afirma que as cirurgias são realizadas com técnicas próprias da clínica, e que as mais diferentes são as de homens trans, que ele classifica mais complexas. 

No site da Olmec, é possível saber que as cirurgias duram de 3h a 5h e que cujo tempo de recuperação leva de 7 a 10 dias. "O procedimento envolve a remoção do músculo peniano, tecido e a remodelagem da genitália externa para se parecer com a genitália feminina. A vagina é feita com a inversão da pele do pênis ou com a técnica cólon sigmóide, que usa uma parte do intestino, para que haja profundidade suficiente para a relação sexual".

Quem quiser maiores detalhes, clique aqui





.
TURISMO

O crescimento das cirurgias de redesignação genital aparece como uma iniciativa emblemática na história da sociedade indiana. Tudo porque, apesar de alguns avanços, como uma lei que reconhece o terceiro gênero do grupo, há milhares de transexuais locais, chamadas de hijras, que sofrem discriminações, vivendo à margem da sociedade, pedindo esmolas e sendo obrigadas a permanecer na prostituição.

Mas alguns dados logo explicam: O setor de saúde movimenta 3 bilhões de dólares em rendimentos por ano, e há mais de 250 mil pacientes estrangeiros na Índia – contra 2 milhões da concorrente Tailândia. Pensando no turismo, o governo indiano concede vistos médicos específicos com a validade de um ano.

O diretor da federação patronal FICCI, Shobha Mishra Ghosh declara que se crie um “ecossistema completo” para o auge do setor. Ou seja, que haja maior facilidade para que estrangeiras transexuais consigam rapidamente vistos, postos de informação nos aeroportos e mais interpretes.



.
O diretor do gabinete Josef Woodman estima que a Índia atrairá sobretudo os interessados em cirurgias para transgêneros. “Penso que demoraria ainda três ou cinco anos (para o auge)”, declarou.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Cibelle Montini disse...

Como assim mais barato, se os medicos mais renomados da Thailandia cobram no maximo 17.000,00 dolares, e sao super conhecidos com resultados, identicos a uma vagina de uma mulher cisgenero, e com garantia orgasmica, e a India, onde nao sao famosos por fazerem CRS, e pouco se sabe sobre esses resultados, cobram 22.000,00 dolares, digo isso porque tenho um grupo a 4 anos e tratamos do assunto e sou bem informada sobre o assunto, e india nao esta entre os locais nem mais indicados e muito menos sao os mais baratos.

Tecnologia do Blogger.