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Cartunista faz comentário considerado transfóbico e é desligado de estúdio

O cartunista brasileiro da DC Comics, Allan Goldman publicou na última semana um comentário considerado transfóbico ao referir-se ao caso de estupro coletivo a uma menor de idade no Rio de Janeiro. E acabou perdendo o emprego.

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Na ocasião, ele escreveu: “O que acontece se os 30 estupradores da menina alegarem que são mulheres? Segundo a ideologia de gênero dos esquerdistas, uma pessoa é o que sente e sua biologia não importa. A sociedade é obrigada a aceitar essa decisão, senão é facismo. Como a Justiça irá julgar o caso de uma mulher que foi violentada por 30 outras mulheres?”.

Diante de algumas denúncias, a Chiaroscuro Studios – que administrava a carreira de Allan no editorial de cartunistas que trabalham em publicações norte-americanas da DC Comics – desligou o desenhista da empresa. Consideraram que o post de conteúdo transfóbico banalizava o caso.

“A apologia e banalização da violência e da discriminação não cabem mais na sociedade e tampouco em nossa empresa. Por esse motivo e à luz dos recentes acontecimentos que acabam de chegar ao nosso conhecimento, decidimos encerrar o relacionamento com artistas não alinhados com valores que, para nós, são absolutamente inegociáveis”, informou a nota.




Goldman, que é apoia declaradamente Jair Bolsonaro como presidente do Brasil, declarou ser vítima de perseguição. “Se você ler meu post, verá que não faço apologia à violência, muito menos ao estupro. Aliás, o estupro nem era o objeto do meu questionamento. Eu fiz uma crítica à ideologia de gênero. Levantei uma questão sobre relativização moral e judicial que poderiam advir da ideologia de gênero”, declarou.

Vale informar que, apesar da tentativa de comparação, não existe nenhum caso no mundo em que uma mulher trans utilizou de sua identidade de gênero para se livrar de qualquer condenação. Vale ressaltar também que os 33 responsáveis por estuprar a adolescente eram HOMENS, HÉTEROS e CISGÊNEROS, logo não existe motivo, razão ou pretexto para falar sobre as travestis e mulheres transexuais, senão a tentativa de reforçar a transfobia. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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