Pop e Art

Cauã Reymond interpreta travesti em clipe contra a transfobia e faz reacender polêmica



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O ator cisgênero Cauã Reymond, de 36 anos, interpretou a travesti Clara no tocante clipe “Your Armies”, da Barbara Ohana, dirigido por Allexia Galvão e Daniel Rezende. Mas acabou dividindo opiniões entre pessoas trans – travestis, mulheres transexuais e homens trans.

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Isso porque, enquanto algumas pessoas ficaram felizes pela mensagem de tolerância e contra a transfobia, outras apontaram para - mais uma vez - não ser uma atriz transexual ou travesti que interpreta uma personagem trans.

Geralmente, são apenas atores cis que são escalados para tais papeis, o que evidencia a falta de oportunidade de trabalho para atrizes e atores trans, mesmo quando os personagens possuem as mesmas características. E remetem ao cinema clássico, quando personagens negros eram interpretados por atores brancos devido ao preconceito social.

A luta por emprego e visibilidade, inclusive em espaços artísticos, é uma das maiores bandeiras da militância T.

Porém, houve quem considerasse a escolha de Cauã certa, uma vez que coloca um dos maiores galãs da TV brasileira na pele de uma travesti. Por meio da visibilidade dele, a mensagem teria alcance maior e ainda desconstruiria parte do machismo. E houve quem considerasse mais importante focar na mensagem do clipe, que se posiciona contra o transfóbico em questão e a favor da personagem trans.


Em entrevista ao O Globo, Cauã não se aprofundou na discussão, frisando pensar no seu ofício de ator e também na busca por papeis interessantes. 
“Vou pelo desafio artístico. Com os personagens, a gente consegue entender um pouco mais sobre as pessoas, e isso é a coisa mais bacana da minha profissão, o que me enriquece como profissional e como indivíduo. Se eu for criticado, vou entender, mas eu trabalho com ficção, e se um ator não puder se transformar e buscar trabalhos desafiadores, vai ficar tudo muito monótono. A bandeira que defendemos é a mesma. A beleza que a gente está propondo é a aceitação do que é diferente para cada um e o respeito”.

Assista:




O CLIPE E O ESPAÇO ALHEIO

Para viver Clara, Cauã usou peruca loira, sapato de salto alto e corset de renda. Ele disse que parou de malhar por dois meses, “para suavizar os músculos” e ficou treinando andar salto alto em casa. A sua inspiração foi o personagem de Johnny Depp em “Antes do Anoitecer”. “A ponta que ele faz, como um tenente que se traveste na prisão é tocante”.

Clara flerta com um homem em um show, que a espanca pelo preconceito. Ela decide, então, se vingar dentro de um quarto, com o transfóbico amarrado e de uma maneira beeem poética: (spoiler: marca um "coward" na testa do transfóbico).

“Espero que a gente realmente consiga passar uma mensagem dessa luta contra a intolerância, porque infelizmente esse clipe está saindo num momento muito oportuno, o que só reforça a mensagem”, declara. Para ele, as pessoas precisam aprender a respeitar as diferenças, independente da orientação sexual, religiosa e política. “Precisamos respeitar o espaço alheio”, frisou ele. 

Pois é...



Confira os comentários no NLUCON e no Youtube:

*Vale ressaltar que Cauã já mostrou ser aliado ao combate da homofobia em diversos momentos. O ator participou de campanha a favor do casamento igualitário, se manifesta sempre contra os crimes homofóbicos nas redes sociais e presta homenagens em dias de Parada do Orgulho a Diversidade. Já interpretou papeis gays no cinema, posou na capa da extinta revista gay Dom... Desta vez, é a primeira que ele fala sobre transfobia.

 





About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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