Pride

Depoimento de Viviany Beleboni sobre crucificação na Parada LGBT é adiado em São Paulo



Foto: Tchaka

A atriz trans Viviany Beleboni esteve na 78ª Delegacia do Estado de São Paulo na terça-feira (21) para prestar depoimento referente à performance da crucificação que fez durante a 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo no último ano.

+ "Falsos profetas estão aí", diz Viviany Beleboni na Parada 2016


Em frente à delegacia, estiveram diversos ativistas e apoiadores da causa LGBT. Dentre eles, Luís Arruda, a drag queen Tchaka, Agripino Magalhães, Lucas Bulgarelli, entre outros. Viviany chegou acompanhada do padre Júlio Lancelotti, da igreja católica.

Após toda a repercussão, o depoimento acabou sendo adiado porque os autos do processo ainda não retornaram do Fórum. "Não vivemos em uma democracia, mas em uma teocracia", afirmou ela.

A Associação das Igrejas Evangélicas de São Paulo moveu no último ano uma medida junto ao Ministério Público do Estado (MP-SO), alegando que Viviany violou o art. 208 do Código Penal. O artigo se trata de ultraje, impedimento ou perturbação de culto religioso.

A artista defende que a performance da crucificação foi para simbolizar os vários crimes LGBTfóbicos que ocorrem no Brasil. E que a polêmica surgiu depois que o pastor Marco Feliciano fez uma montagem da sua foto ao lado de outras manifestações polêmicas (dentre elas, a de um casal hétero enfiando imagens no ânus), que NÃO ocorreram na Parada, para distorcer e manipular a opinião pública.

Marco Feliciano levou imagem de Viviany ao lado de várias outras, que NÃO ocorreram na Parada de SP


.
“Este processo foi movido contra mim por conta do ato que fiz contra as mortes de LGBT, já que o Brasil é o país que mais mata LGBT. Ele (o pastor Marco Feliciano) é um covarde, distorce a imagem das pessoas para incitar o ódio da população, que é o que ele sabe fazer de melhor. Não há prova e foi remarcado novamente. Tem que rir. Vivemos num país onde não há democracia, mas teocracia”.


Ela, que neste ano aparece na Parada como uma Justiça cega pelo fundamentalismo religioso, diz que manifestações são necessárias. “Temos que fazer atos de protesto para que não haja mais mortes como teve em Orlando”, referindo-se ao atentado que ocorreu nos EUA no dia 12 de junho.

Ainda não foi definida uma nova data para que Viviany seja ouvida

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.