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Dez alunos trans de escolas estaduais do Alto do Tietê têm nome social respeitado



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Dez alunos e alunas trans do Alto do Tietê, em São Paulo, passaram ser tratados e tratadas pelo nome social – aquele em que são conhecidos socialmente em detrimento ao do RG - e respeitados em sua identidade de gênero, informou a Secretaria Estadual de Educação.

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Eles foram beneficiados pelo decreto estadual 55.588 aprovado em 2010, que garante que travestis, mulheres transexuais e homens trans tenham o seu nome social respeitado no Estado.

De acordo com os dados das Diretorias de Ensino, é possível saber que há um aluno ou uma aluna trans em Mogi das Cruzes, quatro em Suzano, um em Ferraz de Vasconcelos, três em Itaquaquecetuba e um Poá. Os números se referem a adesão entre janeiro e maio desse ano. E referem-se a alunos do Educação de Jovens e Adultos (65%) e ensino médio e fundamental (35%).

Em todo o Estado de São Paulo, a equipe técnica de Diversidade Sexual e de Gênero da Coordenadoria de Gestão e da Educação Básica (CGEB), informa que 78% dos pedidos é de pessoas que querem ser tratadas pelo nome social feminino e 22% de pessoas que querem ser chamadas pelo nome social masculino. Destes número, 26% possuem menos de 18 anos e 74% tem mais de 18 anos.

A reportagem do G1 conversou com a aluna Amanda* (nome usado para preservar a identidade dela), que se surpreendeu quando a diretora da escola afirmou que ela poderia ser chamada pelo nome feminino. “Eu me senti acolhida porque já no primeiro dia de aula ela conversou comigo, perguntou como eu gostaria de ser chamada e qual banheiro eu preferia usar. Eu uso o banheiro feminino e não fico mais constrangida perto dos garotos”.

Em entrevista à Agência Brasil, a especialista em educação do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) Márcia Acioli afirma que a adoção do nome social faz com que crianças e adolescentes trans se sintam respeitados e permaneçam nas escolas. Com o respeito ao nome social, a escola afirma que as escolas ajudam a combater a violência transfóbica, que torna o Brasil o país que mais mata travestis e transexuais no mundo, segundo a organização Transgender Europe.

“A escola precisa trazer a discussão sobre a diversidade humana para a rotina. Educar é trabalhar esses temas no cotidiano”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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