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Mulher transexual lésbica? Luiza Coppieters explica para Regina Volpato




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A jornalista Regina Volpato – que é conhecida (e que nos entende) desde os bons tempos do Casos de Família, do SBT – voltou com um novo programa na web, o “Prazer, eu sou”. Nele, ela entrevista pessoas “inspiradas, inspiradoras e empoderadas” em um bate-papo leve e necessário.


No programa desta semana, Regina entrevistou a professora de filosofia Luiza Coppieters, que é formada em Filosofia pela USP, é professora, mulher transexual e lésbica.

Aliás, foi diante da dúvida de Luiza ser “mulher transexual e também lésbica” que Regina iniciou a conversa. “Acho que não entendi nada”, reconheceu ela. A professora, então, afirmou que a sua intenção é demarcar a diferença de identidade de gênero (o que ela sente e é como pessoa, vide mulher transexual) e a orientação sexual (por quem ela se atrai, vide lésbica).

“São duas coisas distintas. Ser mulher, ser mulher transexual ou ser mulher cisgênera, diz respeito ao gênero feminino. (...) Eu sou uma mulher transexual porque me sinto e sou uma mulher. E sou lésbica porque me atraio por mulheres”, explica Luiza. Ela diz ainda que, assim como uma mulher cis pode se interessar por uma mulher e ser lésbica, ela também pode enquanto mulher transexual se interessar por mulheres e ser lésbica. 

A professora revela que passou 30 anos dentro do gênero masculino e que, apesar dos privilégios de aparentemente ser homem cis branco e hétero, avalia o período como uma violência que ela praticou contra si. “As pessoas que estão dentro do armário sofrem muito. E elas também causam sofrimento, principalmente para a família, que sente. Eu digo que não são apenas o Felicianos e Malafaias que fazem mal para a gente. São também essas pessoas se mantendo dentro do armário, porque para viverem nestes espaços elas reproduzem o discurso machista”.

Assista ao programa: 





REPERCUSSÃO

Em conversa com o NLUCON, Regina Volpato afirma que decidiu entrevistar Luiza porque considera necessário repensar as questões de gênero e sexualidade. “Desconstruir os modelos impostos é uma questão que me mobiliza”, afirma ela, que considerou a entrevista (e o encontro) esclarecedora, agradável, divertida instrutiva e muito amorosa.


“Fiquei surpresa com a quantidade de pessoas que me ligaram para que eu explicasse a Luiza! Amigos meus, da mídia, muitos gays, inclusive. Ou seja, há uma ignorância enorme com relação ao tema. E não estou criticando, não, porque eu também era (risos). Só que fui buscar informação, tentar entender. Ou seja, precisamos falar sobre o assunto. Muitas vezes”, conta.

A apresentadora diz ainda que pretende entrevistar outras pessoas trans ao longo do seu programa. “Mas não já. Não quero que fique parecendo forçação sabe?”. 

Quem quiser acompanhar o canal da Regina no Youtube basta clicar aqui. Já quem quiser acompanhar as aulas de filosofia com Luiza no canal "Café com Luiza", publicado no Facebook, clica aqui. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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