Pride

Oi? Travesti Viviany Beleboni é intimada por performance da crucificação: "Não vão me calar"




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A modelo e atriz Viviany Beleboni, que é travesti de 27 anos, foi intimada na terça-feira (24) a prestar esclarecimentos no 78º Distrito Policial de São Paulo sobre a performance da crucificação durante a 19ª Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

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A Associação das Igrejas Evangélicas de São Paulo moveu no último ano uma medida junto ao Ministério Público do Estado (MP-SO), alegando que Viviany violou o art. 208 do Código Penal. O artigo se trata de ultraje, impedimento ou perturbação de culto religioso.

O depoimento deve ocorrer no dia 21 de junho. E, segundo a advogada de Viviany, Cristiane Leandro de Novais, se o relato da atriz for suficiente para as autoridades, o caso deve ser arquivado. Caso permaneçam dúvidas, a apuração seguirá em vigor, tendo a necessidade de novos depoimentos da atriz ou de terceiros.

“Não houve ato criminoso, não houve escárnio, não houve repúdio a atos religiosos, houve encenação onde ela manifestou em uma representação as mortes e a violência contra o movimento LGBT”, afirmou a advogada ao site G1.

Viviany declarou que a intimação trata-se de uma distorção, uma vez que colocaram sua foto crucificada ao lado de outras manifestações no Brasil e no Mundo. “Aqui no Brasil funciona assim... Você que é LGBT e o ano todo discriminado(a) morto(a) espancado(a) difamado(a) agredido(a), posto para fora de sua casa pela própria família, perde emprego por ser LGBT, é satirizada(o) por inúmeros programas de televisão, jornais, eventos. Aí você vai reagir de uma forma artística, gritando socorro e eles fazem uma montagem nojenta para distorcer a população. E é indiciada a Delegacia por uma bancada evangélica”.

Ela, que neste ano veio na Parada LGBT representando a Justiça com a Bíblia na mão, afirma ainda que não vai ficar calada: “Só tenho uma coisa a dizer, vocês (acham "pensam" ) que vão me calar estão perdendo o tempo de vocês. Lutarei até o fim por democracia que não existe nesse pais graças a vocês seus hipócritas, Brasil, o país da teocracia! É para glorificar de pé! Ao contrário de alguns covardes que distorceram e incitam ódio a LGBTs o ano todo, estarei presente com minha advogada Cristiane Leandro. Fora política com religião! Basta, queremos democracia!".




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OUTROS PROCESSOS

Por conta da performance da crucificação, Viviany tem vários processos iniciados em 2015. Ela chegou a abrir um processos contra o Facebook para obrigar a rede social a identificar usuários que, após o desfile, publicaram montagens de fotos dela em meio a imagens de sexo explícito. Ao todo foram sete processos reivindicando indenização por danos morais, sendo que um foi negado. 

Vale lembrar que a performance foi motivada após o Brasil receber o título de país que mais mata travestis e mulheres transexuais no mundo, de acordo com a ong internacional Trangender Europe. Na época, Viviany havia acabado de perder uma amiga pela transfobia. “Estou representando as dores de todas as pessoas LGBT, que são crucificadas todos os dias por essa sociedade preconceituosa”, explicou na época.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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