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Tocante! Websérie traz cena com casal trans sendo impedido de adotar pela transfobia



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A websérie “Mulheres em série” – realizada pela Criarte, produção e cultura - trouxe no terceiro episódio uma cena forte e tocante envolvendo um pedido de adoção negado ao casal formado pelas pessoas trans Letícia (Ana Victória) e Domênico (Samuel Silva). A cena evidencia a transfobia de todo dia.  

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No episódio, Letícia - que sonha com a maternidade - leva os papéis para a advogada cis Juliana (Laysa Carolina Machado) e é recebida com um show de transfobia a partir do momento em que o nome civil e a transgeneridade são utilizados como entraves para a decisão.

A advogada diz, dentre muitos discursos transfóbicos, que não se incomoda com ela e o marido viverem numa fantasia, mas que “não dormiria bem a noite com uma criança inocente envolvida nesta coisa doentia”. “O seu processo de adoção está sendo negado Por que você não tenta adotar um cachorro ou um gato? Será bem mais fácil”, diz.

Cena evidencia a transfobia presente
na sociedade e no Direito
Após ser chamada de “senhor” repetidas as vezes, Letícia se levanta e diz que são pessoas como Juliana que a ajudam a continuar forte. “Eu te agradeço, porque são pessoas como você me fazem ter força para continuar. São pessoas como você que fazem as pessoas trans se superarem a cada dia. E um dia eu e o meu filho vamos nos lembrar de mais essa superação”.

Ao fim, é narrado um monólogo sobre a necessidade da aprovação da PL 5002/2013, conhecida como PL João Nery, a Lei de Identidade de Gênero, que visa facilitar entre outras questões a mudança de nome e gênero da documentação de travestis, mulheres transexuais, homens trans e outras transgeneridades. 


Assista:



Curiosamente, a cena é protagonizada por duas atrizes trans, Ana Victória e Laysa Carolina Machado, cumprindo a proposta do trabalho em dar visibilidade, além de temas referentes às questões de gênero e identidade de gênero, aos artistas que fazem parte da identidade T. 


Laysa comemora ao NLUCON a sua mais nova personagem: "Juliana é uma mulher cis e, para interpretá-la, inspirei-me na atuação da Clarie do House of Cards. Ela é cheia de maldades, uma vilã preconceituosa, transfóbica, racista e classista. É um desafio estar do outro lado, ou seja o lado do opressor".

Em tempo!


No segundo episódio, Letícia conversa com um amigo gay, que relata ter perdido o amigo para a homofobia. Além da cena do personagem do ator trans Samuel Silva.

Assista:


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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