Pop e Art

(+18) Neon Cunha posa nua, ressalta belezas plurais e rebate mitos transfóbicos



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A diretora de arte Neon Cunha é uma das modelos clicadas pelo fotógrafo e designer Rafael Canoba para o site Incontorno – que visa valorizar a beleza em sua pluralidade. Com consciência, força e empoderamento, ela posa nua, evidencia a sua beleza. E discorre em entrevista sobre os corpos de pessoas trans.

As fotos foram realizadas em São Bernardo do Campo e mostra Neon extremamente a vontade no chuveiro, na cozinha e em meio aos vários livros e revistas de moda e arte. A intenção: mostrar que a única pessoa que pode determinar a identidade e classificar um corpo é aquela que vive nele.

"Posei nua principalmente para pontuar que meu corpo me pertence. Que, sim, este é o corpo de uma mulher. Sem abertura para questionamentos seja lá de quem for, da sociedade cisheteronormativa ou de movimentos organizados que determinam quem é transexual ou travesti... Posei por responsabilidade social, me entreguei e deixei fluir", declara ela com exclusividade ao NLUCON.

Em entrevista ao Incontorno, Neon também fala sobre beleza e diz que a 
cartunista Laerte Coutinho nua – e sem próteses de silicone seios - na Rolling Stone foi um divisor de água do que se espera de corpos de pessoas trans. “Desculpa, querida, se você não soube lidar com tanta beleza, com tanta naturalidade, tu que é a problemática”, defende. Neste sentido, ela diz que também demorou “um bom tempo” para decidir se iria ter mama ou não. Afinal, era uma decisão absolutamente pessoal – e não do mundo.


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Ao longo das lindas fotos, a modelo questiona, por meio de sua trajetória, todas as pessoas que questionam a sua mulheridade e apontam para uma “socialização masculina”. Aos 3 anos, dirigiu-se para a fila das meninas na escolinha e a diretora chamou a mãe para falar sobre sua "doença". Aos 11, o pai a obrigava a ficar com as mãos no bolso para disfarçar os trejeitos femininos. Aos 12, estudava, trabalha e comia as folhas do caderno – literalmente – para matar a fome. Aos 17, foi expulsa de casa.

“As pessoas falam, ‘foi socializada como homem’. WTF! Come com farinha, minha filha, porque eu não fui socializada como homem, muito pelo contrário, tentaram me tornar um homem. Eu digo para todo mundo, quando eu estava lá, sozinha, me reconhecendo mulher, meu corpo era pleno, era de mulher. (...) O menor dos meus problemas foi com o meu genital. O meu maior problema foi com as pessoas, com a vida”.

Quer banho e nudez mais reveladores e elucidadores que esse? 


ESTAR NA PRESENÇA DA REAL BELEZA É RENOVADOR

Rafael afirma que fotografar Neon foi "deslumbrante" e que conheceu uma mulher "absurdamente forte e inspiradora". “Cheguei em casa já depois das 23h, mais ainda animado o suficiente para editar as fotos e ouvir sua entrevista. O sentimento de estar na presença da real beleza é sempre renovador”.

Em sua página, ele fala sobre o projeto, a vontade de retratar várias belezas e questionar os padrões. “Beleza importa? Sim. Não. Sim, mas não dessa forma, vale mesmo o que a pessoa é por dentro (...). O que é bonito merece ser celebrado, exatamente por não caber em padrão algum”.

E convida a todas as pessoas a discutir o belo a partir das respostas de pessoas de todos os gêneros, cores, sexualidades e muitos outros cenários que distorcem a percepção de beleza. Você pode acessar o site, conferir todas as fotos de Neon e os demais ensaios - tem vários e estão incríveis! - clicando aqui.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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