Pride

Após transfobia, Shane Ortega comemora aceitação de pessoas trans no Exército dos EUA



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Shane Ortega
, que é o primeiro soldado militar a dizer publicamente que é homem trans, é um dos que mais comemoraram (e se beneficiaram) o anúncio do Pentágono na última semana de que o Exército dos EUA vai aceitar e apoiar pessoas trans. E derrubar a proibição.

“Não é apenas uma vitória para oito anos de trabalho duro, foi uma vitória para o futuro do nosso país e da comunidade. Obrigado a todos os que trabalharam comigo e que estava junto, me apoiando mesmo quando eu fui atacado. Vou continuar a ser um reflexo de amor para a nossa comunidade”, disse ele, que soma três missões no Iraque e Afeganistão.

Até então, ele – que é chefe da tripulação de helicóptero da infantaria do Exército do Hawai - enfrentava transfobia no local, era tratado como mulher pelos superiores, obrigado a vestir o uniforme feminino e perseguido a cada falha cometida. Isso porque a transexualidade era uma premissa para dispensar e considera-lo inapto ao trabalho.

Shane entrou para as Forças Armadas há 10 anos, quando ainda não havia passado pela transição de gênero. Em 2011, ele revelou a transexualidade e passou a ser encarado como um problema. Tanto que superiores chegaram a afastá-lo das funções durante os voos e esperam algum vacilo. "Não posso receber sequer uma multa por excesso de velocidade, não posso chegar tarde, não posso deixar de me barbear um dia que seja. Tenho que ser absolutamente perfeito".

Na luta semanal, o soldado continuava usando o uniforme feminino todas as quintas-feiras e continua sendo tratado como mulher. "As pessoas continuam a trocar o meu gênero, me chamam de 'ela' ou 'minha senhora'. Sim, são as pessoas com quem eu trabalho. (Mas) eu existo e isso continua a ser um problema", declarou em entrevista à Fusion.

Agora, tudo mudou.




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A MUDANÇA

A aceitação de pessoas trans nas Forças Armadas foi anunciada pelo secretário da Defesa, Ashton Carter. Segundo ele, derrubar a proibição é “a coisa certa a fazer, e é mais um passo para se garantir que se continua a recrutar e se mantêm pessoas qualificadas”.

O senador Democrata Dick Durbin declarou que a nova política militar permite que soldados transexuais continuem a "servir sem viver uma mentira, e fornece aos comandantes, que têm estado no meio de políticas confusas, uma perspetiva mais clara sobre o assunto".

A nova política entrou em vigor no dia 1º de julho. E o exército não pode demitir ou impedir que indivíduos trans se alistem devido a sua identidade de gênero ou até mesmo que queiram ou vão passar pela cirurgia de redesignação sexual (popularmente conhecida como mudança de sexo).

Aliás, partindo da premissa de que haja acompanhamento médico necessário e que tenham condições para se alistar, o Pentágono vai comparticipar das despesas associadas à transgeneridade ou transexualidade, inclusive das referentes à redesignação sexual.

Ashton diz que o exército deve começar a pagar pelos tratamentos de pessoas trans a partir do dia 1º de outubro.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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