Pop e Art

Com direito a beijo, MC Xuxú e MC Trans dão fim à rivalidade histórica e fazem clipe juntas



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Por Neto Lucon

Todo mundo que é fã da MC Xuxú ou da MC Trans sabia da rivalidade histórica e irremediável entre as duas funkeiras. Mas elas resolveram colocar um ponto final na rixa e lançaram nesta semana um clipe cheio de lacre juntas.

Encontro surpreendeu fãs

Na nova versão de Maldiva, lançada originalmente por Xuxú, as duas cantam, dançam e até se beijam na boca. Roma Gaga faz uma ponta ao fim. Uma verdadeira surpresa para os fãs, que estavam acostumados a guerrear nas redes sociais.

De acordo Xuxú, a ideia é mostrar que a desunião LGBT não está com nada. Já MC Trans disse que o clique veio para “calar a boca das pessoas que fizeram intrigas entre elas”. E provar que existe perdão e amizade.

O clipe foi divulgado de surpresa no domingo (10), está quase com 10 mil visualizações. E soma muitos comentários positivos.

Assista:



A BRIGA E O NOVO MOMENTO

MC Trans afirma que a briga entre as duas foi motivada inicialmente por pessoas que inventavam acusações e farpas entre elas, e estimulavam o confronto. “A gente era rodeada de pessoas, tanto da minha equipe quanto da dela, e de falsos fãs, que faziam intrigas e usavam de má fá para fazer da gente inimigas. E a gente dava ouvido para essas coisas”.

Foram muitas trocas de farpas, bafos e músicas escritas de alfinetadas mútuas. "Quando ela lançou 'Brilho não é pra todas', achei que seríamos inimigas para sempre. Minha timeline vivia cheia de ataques dos fãs delas", lembra Xuxú, que devolveu com a letra da música Maldiva.

Tudo mudou quando 
elas tiveram que trabalhar lado a lado em uma das festas do clube Victoria’s Haus, em Brasília, em janeiro deste ano, e dividiram o mesmo hotel. “Eu e a Camilla (Monforte, MC Trans) fizemos um show juntas e tivemos a oportunidade de conversar. Ficamos bem”, declarou Xuxú.

"Começamos a ver que somos idênticas. Fazemos aniversário perto, temos a mesma altura, gostamos das mesmas músicas... E a gente viu que não tinha que dar ouvido para as outras pessoas, pois tínhamos muitas coisas em comum. Desde esse encontro, posso dizer que amo a Xuxú", concordou MC Trans. 




Após verem que poderiam deixar a inimizade de lado, as artistas tiveram a ideia de estreitar a parceria e fazer um trabalho em vídeo juntas. Mas o receio ainda batia, afinal todos os fãs conheciam as duas como inimigas para sempre. E elas não sabiam se "pegariam bem" a aproximação depois de tanta briga. 

“Tivemos medo de os fãs não aceitarem, mas como alguém tinha que abaixar a guardar, tive a humildade de participar do clipe dela. Ela veio na minha casa, ela está hospedada aqui e a gente ficou amiga de verdade”, contou MC Trans.

MC Xuxú admite que, mesmo após a aproximação, ficou cheia de dedos. “Atrapalhei muito na gravação, errava a todo o momento, gravei toda escoltada, achando que era uma vingança, já que a música atacava ela. Me surpreendi”, declarou. "Hoje somos parceiras e rimos muito de tudo o que aprontamos uma com a outra". 

FÃS PASSADOS E NOVA FASE

Assim que lançaram o clipe, a reação mais comum dos fãs foi a de surpresa. E depois a aprovação da maioria. “Mesmo quem comprou a briga, gostou, porque é isso que eu prego, paz e amor. Depois de Maldiva, me senti mais amada e até coerente. Sempre fui militante e esse atrito me fazia cair em contradição: pedir paz e fazer guerra”, diz Xuxú.

MC Trans defende que elas conseguiram transmitir a mensagem de que a comunidade trans precisa se unir. “A lição é de que às vezes a gente não conhece uma pessoa e fica gratuitamente inimiga dela. Mas a nossa vida de travesti é difícil e a gente percebeu que as brigas no nosso meio são desnecessárias. Juntas somos mais fortes”.

Para quem quiser insistir na rivalidade, uma dica valiosa da música: “Se joga e não liga pra esse gente mal dormida”. Nós, do NLUCON, parafraseamos o sucesso de MC Trans: "Brilho não é pra todas, mas vocês duas têm de sobra".  

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

Boss disse...

Seria interessante colocarem as datas das matérias. Dá mais credibilidade ao site.

Silvana Rocha disse...

Bom dia! Linda matéria!
Adorei os esclarecimentos e a intenção das duas que é a pura verdade. No sentido de que a desunião é um prato cheio para "maldade".

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