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Drauzio Varella diz que ser transgênero é só mais uma manifestação da diversidade humana



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O médico Drauzio Varella escreveu em sua coluna no jornal Folha de São Paulo um artigo em que defende o uso de banheiros por travestis, mulheres transexuais e homens trans de acordo com a sua identidade de gênero. E o debate que ocorre em todo mundo.

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No texto, Drauzio dissolve o discurso transfóbico e perverso de quem diz desrespeitar a identidade de gênero das pessoas trans para “proteger mulheres de eventuais ataques por parte de homens disfarçados com roupas femininas” ou que colocam as “travestis entre os predadores sexuais”.

Na defesa, o médico aponta: “Essa gente faz questão de esquecer que as travestis e as mulheres transgêneros são abusadas desde a infância, xingadas na rua, alvos da violência policial, escorraçadas pela sociedade e assassinadas por psicopatas”. O médico diz ainda que é uma ignorância inaceitável considerar em pleno século 21 distúrbios mentais, transtornos de personalidade ou falta de vergonha as expressões de gênero que não se encaixam no comportamento da maioria.

“Transgêneros são mulheres e homens com identidade de gênero em discordância com o sexo da certidão de nascimento, escolhido pela aparência dos genitais externos. Estimam que 700 mil americanos adultos pertençam a essa categoria. Se nossos números forem semelhantes, haveria perto de 500 mil entre nós”.


PROBLEMAS DE SAÙDE

Drauzio aponta ainda que o impedimento de usar banheiros pode causar problemas de saúde, conforme informa a revista The New England Journal of Medicine. “Por interferir com funções fisiológicas essenciais, dificultar o acesso a eles aumenta o risco de infecções urinárias, renais, obstipação crônica, hemorroidas e impede a hidratação adequada de quem evita beber água para conter a necessidade de urinar”.

Ele ainda diz que discriminação, agressões verbais, sexuais, físicas e a dificuldade de acesso aos serviços de saúde causam ansiedade, estresse pós-traumático, prostituição, doenças sexualmente transmissíveis, abuso de drogas, depressão e taxas altas de suicídio.

E denuncia que médicos não têm preparo para lidar nem com as questões clínicas, cirúrgicas e hormonais dessas pessoas.

“Embora existam protocolos internacionais para o atendimento de transgêneros, quantos médicos sabem da existência deles? Quantos estão preparados para orientar familiares assustados e adolescentes confusos com a identidade sexual?

Ao fim do artigo, Drauzio diz que quando “formos mais civilizados, ser transgênero será manifestação da diversidade humana, como ser destro ou canhoto”. Porém reconhece que, “até lá, a estupidez agressiva da sociedade causará muito sofrimento aos que não se enquadram nos modelos culturais previstos no binário masculino-feminino”.

Você pode ler o artigo na íntegra clicando aqui.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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