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Em Encontro sobre Mulheres na Política, pré-candidata fala sobre invisibilidade transfóbica



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A professora de filosofia e pré-candidata a vereadora de São Paulo pelo PSOL, Luiza Coppieters participou do evento “Encontro Propositivo pela Igualdade das Mulheres na Política” no dia 19 de julho, realizado pelo Ministério Público Federal, na Procuradoria Regional da República da 3ª Região. Ela, que é uma mulher transexual, falou sobre a falta de diversidade de mulheres em tais espaços.


Inicialmente, Luiza alfinetou que as pessoas precisam sim do direito à fala, mas também devem aprender o direito de ouvir – haja vista que muitas pessoas estavam preocupadas apenas em discursar e ir embora. E numerou as raríssimas mulheres transexuais, travestis, lésbicas, bissexuais, negras e de periferia em tais espaços de discussão.

“Vi as pessoas comemorarem a Lei contra o Feminicídio, mas nós mulheres transexuais não entramos nessa lei. E nós sofremos uma violência absurda, que a maioria das mulheres (cis) não tem noção. Nós não podemos existir. Nós não temos direito ao nome, e quando você não tem direito ao nome, você não existe. E nós dependemos de um Judiciário extremamente machista, feito por homens brancos, cis, héteros e de classe média que vão julgar o que nós somos”, declarou.

Ela afirma que sua proposta é para que as pessoas briguem para que mulheres transexuais e travestis entrem na discussão como mulheres. “Porque nós sofremos violência, sim, por uma sociedade machista e misógina. Nós somos classificadas como homens e isso é perverso”.

Luiza destacou também que a frase “somos todas iguais”, proferida anteriormente no espaço de discussão, sempre é dita por mulheres brancas, cis e heterossexuais. Nunca por uma mulher negra, lésbica, transexual ou de periferia. E que muito mais que um discurso universalista, é necessário, sim, fazer os recortes que existem para entender as demandas de cada mulher.

“As mulheres brancas ganham 67% do que os homens ganham, as negras 52% das brancas, e 35% do que os homens brancos ganham. Sabe quanto nós transexuais ganhamos? A gente não sabe, porque a gente não sabe nem se a gente existe, ninguém avaliou se a gente existe, não tem nem estatística para a gente. A única estatística que temos é que nossa expectativa de vida é de 35 anos. E que nosso lugar é prostituição”.

O encontro foi promovido por Luiz Carlos dos Santos Gonçalves, que é procurador regional eleitoral do Estado de São Paulo, e procurou debater propostas para incentivar os partidos políticos apresentarem candidatas mulheres em número superior aos dos outros anos, garantindo que elas tenham igualdade na campanha.

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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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