Pride

LGBTs fazem atos após o assassinato da travesti Danyelly Barby em Mogi das Cruzes



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Por Neto Lucon
Fotos: Alex Schiszler das Chagas

O assassinato da travesti Danyelly Barby, de 24 anos, no dia 25 de junho chocou a comunidade LGBT de Mogi das Cruzes, São Paulo. Tanto que vários atos foram realizados para que a morte dela não fosse apenas mais um número. Aquele que torna o Brasil o país que mais mata travestis e transexuais no mundo.

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Um dia após a morte, a militante e artista transexual Alexandra Braga fez uma emocionante performance na Up Club Mix em homenagem à amiga. Nos bastidores, vários LGBT posaram com uma foto de Danyelly, repudiando a transfobia no país, para Alex Schiszler das Chagas.

“O movimento LGBT está revoltado, a população LGBT está com medo e a sociedade em geral está indignada. Sinto tudo isso ainda mais forte, porque além de ser uma mulher transexual, percebo que a transfobia está mais perto do que imaginamos. E ela choca, amedronta e ao mesmo tempo me dá mais forças para lutar por políticas públicas que visibilize o meu segmento”, declara Alexandra, que é do Fórum Mogiano LGBT, ao NLUCON.



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No dia 1º de julho, a comunidade LGBT, militantes e defensores dos direitos humanos se reuniram em mais um ato em memória de Dany, contra a transfobia e o pedido por justiça. 

A concentração foi no Largo do Rosário, onde as pessoas seguravam cartazes contra a transfobia, e a manifestação seguiu para ruas da área central, terminando no endereço onde ela foi assassinada.
Manifestantes querem que assassino tenha punição
e que crime não caia no esquecimento

Diane Ramos afirmou que ainda não conseguiu “digerir a notícia” da morte da amiga, mas que a luta é para que o assassino seja prezo. “Não posso mais ligar e conversar com ela. Não dá para acreditar. Queremos que o assassino seja preso. Não que a prisão vá trazer ela de volta, mas esperamos justiça”, disse ao G1.

 Já o presidente do Fórum, Roberto Fukumaro, declarou que “espera que a investigação da polícia avance, que a morte não fique no esquecimento e que o assassino não fique impune”. 

O CRIME

Danyelly Barby foi baleada e morta no dia 25 de junho, logo após sair de um hotel na área central da cidade. O crime ocorreu na esquina das ruas Princesa Isabel de Bragaça e Coronel Souza Franco.

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O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) atendeu Danyelly, que não resistiu ao tiro e morreu. Os policiais só chegaram após da morte de Danyelly e nenhum suspeito foi preso até o momento.

O caso foi registrado no 1º Distrito Policial e encaminhado para a Delegacia de Homicídios. Os investigadores tiveram acesso às imagens do circuito interno do hotel. O rapaz que acompanha a vítima é o principal suspeito.

“Mesmo que digam que o crime foi passional, uma travesti ou uma transexual nunca é morta sem que haja a transfobia por trás. Pois sempre haverá um sentimento transfóbico e condenável por não estarmos nos padrões heterocisnormativos. Queremos mostrar para essa cidade que a população LGBT não aceita crime por LGBTfobia. Que a justiça seja feita”, finaliza Alexandra.

Veja fotos da manifestação:






About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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