Pop e Art

“Não vou deixar a deficiência me impedir de ser uma estrela”, diz mulher trans Piyah Martell

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Por Neto Lucon

Piyah Martell
é uma cantora trans de 20 anos que vem inspirando muitas pessoas em todo o mundo. Tudo porque ela, que tem a síndrome de redução caudal (uma doença rara que impede o desenvolvimento das pernas), carrega em sua trajetória as palavras superação e talento.


“Eu não vou deixar a deficiência me impedir de ser uma estrela”, defendeu ela, repleta de empoderamento ao jornal britânico Daily Mail. Natural de Sacramento, na Califórnia, Piyah é conhecida nas redes sociais por seus vídeos no Youtube, músicas, lip sync e também pela participação especial no reality show RuPaul’s Drag Race.

Mas nem tudo são floram flores na vida da jovem. E os dramas iniciaram cedo. Aos seis anos, percebeu que gostava de “coisas de menina”. Aos sete, a mãe morreu, deixando-a com o pai e o irmão. Ao entrar na escola, tornou-se alvo dos mais perversos tipos de agressão e bullying por conta de sua deficiência física. E ainda tinha a questão trans a ser entendida.

“Quando estava no colégio, eu era muito tímida. Isso porque eu tinha a deficiência e ainda comecei a perceber que não me sentia feliz sendo um menino. Não tinha muitos amigos, até porque ficava um tempo fora da escola porque estava doente. Isso se tornou ainda mais difícil para mim”, declarou.



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Foi a música – sobretudo na voz de Mariah Carey – que a fez aprender a lidar com as adversidades. “Eu sempre amei cantar para a minha família. Mesmo quando era pequena, eu gostava de me vestir, cantar e dançar para a minha mãe e o meu irmão. Eu podia ser eu mesma em casa, mesmo que fosse tímida na escola. Amei todas as cantoras, mas a minha inspiração é a Mariah Carey. Eu a amo, mas não quero ser ela, quero ser eu mesma”.

ACEITANDO-SE

Piyah afirma que desde a mais remota consciência sabia que se identificava com o universo feminino. E que tinha total consciência de que era diferente das demais crianças, sobretudo das que foram designadas "homens" ao nascer. Tanto pela deficiência física quanto por ser uma garota. “Eu meu coração sabia que era uma menina”.

Foi com o tempo que ela começou a usar as suas diferenças como as grandes armas de sua vida. “Quando eu era mais nova, eu costumava a desejar ser como as outras pessoas. Levei muito tempo para aprender a ter orgulho de quem eu sou”, diz.

Aos 15 anos, ela resolveu contar para o pai Pete e para a madrasta Brenda, que era uma mulher transexual. “Nós estávamos na cozinha e eles estavam fazendo o jantar. Estávamos rindo e senti que era um bom momento. Foi um choque, mas acho que eles sempre souberam que me senti assim. Brenda foi ótima, pois começou a comprar lenços, tops e roupas de garota para mim”.

Ela afirma que após revelar-se trans passou a desenvolver a sua imagem como cantora. Por meio da webcam, passou a produzir vídeos e a compartilhá-los na internet, conquistando novos fãs no Youtube, Facebook e My Space. E chamando atenção da mídia internacional.


A madrasta morreu em 2015 vítima de câncer no pulmão. E Piyah diz que segue a carreira em nome do apoio que recebeu de Brenda. “Foi realmente terrível, pois ela sempre acreditou em mim e sempre me apoiou. Fiquei tão feliz quando ela se tornou a minha mãe. Como ela sempre quis que eu alcançasse os meus sonhos, estou determinada a fazê-lo como cantora e performer pelo amor de Brenda”.



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UMA ESTRELA

Se por um lado começou a receber muitos incentivos, por outro começou a receber muitas críticas e comentários preconceituosos. Mas ela não se intimida com as críticas e minimiza os hatters: “Meus fãs são incríveis. O amor que ele me dão nos tornam uma família”.

No último ano, a cantora foi convidada pela gravadora Recording Studio, de sua cidade, para gravar uma fita demo. Para ela, a experiência foi incrível, sobretudo pela experiência em entrar pela primeira vez em um estúdio. E uma grande oportunidade para dar continuidade na carreira artística.

Em 2016, Piyah continua mostrando o seu cotidiano, desafios e conquistas aos fãs. Em seu Facebook, é possível vê-la em momentos de felicidade ao lado do pai e dos cachorrinhos, de romance ao lado do mais novo namorado e em fotos que revelam absoluto lacre e autoestima. 

“Eu me vejo como uma grande estrela, cercada de glamour e com muitos fãs”, afirma ela. Sim, você já é!



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Assista aos vídeos, músicas e lip sync de Piyah:






About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

Anônimo disse...

Linda! Diva, chorei lendo e ouvindo!

SUZANA disse...

Lendo o texto acima.Bom,uma conclusão:Ser diferente não te faz menos preconceituoso.Eu lésbica,já sofri preconceito de várias lésbicas por ser diferente (quando criança sofri um acidente com álcool e tenho cicatrizes de queimaduras).O ser humano consegue ser tão contraditório,muitos vão as ruas,as Paradas GLS,porém muitos têm atitudes tão repudiáveis como aquelas dos homofóbicos.Muitos só querem ser respeitados,não ser discriminados,mas em off cometem os mesmos erros que repudiam nos outros.Já sofri preconceito de mulher lésbica e que utilizava cadeira de rodas.Depois dessa não espero algo positivo de ninguém,de público algum,seja hétero,homo...Não me sinto fazendo parte de grupo nenhum,tanto que não vou às paradas GLS,justamente porque depois das atitudes que sofri,acho mesmo que tem muita demagogia.Precisamos primeiro, resolver os nossos próprios preconceitos.

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