Pop e Art

Nos quadrinhos "Cores", Mel revela ser criança trans e esbanja fofura e representatividade



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Por Neto Lucon

A história em quadrinhos “Cores”, da artista Carol Rossetti, revelou no dia 22 de julho que a personagem Mel – uma pequena inventora, visionária e esperta – é uma criança trans. Aliás, muito amada e respeitada por sua família e que se diverte muito com os seus amigos. 

Mel apareceu pela primeira vez na 41ª histórinha, quando as personagens centrais Lila e Su buscam conhecer a vizinhança e escutam uma explosão. Era “só” uma das invenções de Mel – uma máquina que transforma areia em pizza – que explodiu.

Desde então, a personagem se integrou à turma e aparece em todas as aventuras da turminha desbravadora, que vive desafiando as convenções e expectativa dos adultos. Foi só na história 55, quando as garotas resolvem fazer um documentário sobre famílias, que ela revela ser trans.

“Quando eu nasci, o médico disse que eu era menino. Mas eu nunca me senti menino. Eu sou menina!”, afirma.

Mel conta que os pais estranharam no início, mas explica que conversar com outras famílias de filhos e filhas trans contribuíram para a aceitação. “Minha família aceita como eu sou. E a gente se ama e apoia em tudo". Ela também diz que foi o irmão mais velho que lhe deu o primeiro kit de química. A personagem Su chega a se emocionar com o relato.

No Facebook, a tirinha teve mais de mil interações, entre curtidas, corações e caras de raiva. A página foi bombardeada por comentários conservadores e transfóbicos. Mas grande parte do público de “Cores” fez diversos elogios para uma das primeiras personagens trans de histórias infantis. E sua dupla representatividade: criança trans e negra. 

Veja abaixo:


REPRESENTATIVIDADE POSITIVA PARA CRIANÇAS

Se durante muito tempo não existia qualquer material que lidasse com naturalidade sobre as identidades trans na infância, a personagem Mel vem para suprir essa lacuna. E também cria representatividade nas novas gerações.

Carol afirma ao NLUCON que o objetivo de Cores é ir além da desconstrução do adulto, mas investir a conversar com crianças e “construir” adultos melhores. 

Para quem ainda não conhece, a história se inicia com a personagem Lila questionando por qual motivo consideram a cor rosa de menina e azul de menino. A partir daí vão surgindo personagens com questões relevantes, que vão desde adoção, pais homoafetivos às brincadeiras divididas por gênero. E que mostram que a diversidade deve ser respeitada.

Sobre Mel, Carol afirma: “O objetivo não é um retrato real da realidade de crianças trans no Brasil ou no mundo, mas começar uma representação positiva para crianças. Se nossas referências constroem nosso conceito de normalidade, está na hora de ampliar muito essas referências, né?”.

PROJETO NO CATARSE

Você é uma das pessoas que amaram a Mel – e quer vê-la brilhando e criando muitos inventos em “Cores"? Então você pode ajudar com o projeto doando uma contribuição no Catarse. A ideia é que se consiga transformar todas as tirinhas publicadas na fan page do Facebook em um livro, o que deixaria tudo ainda mais interessante.

E quem contribuir a partir de 25 reais pode ganhar vários brindes, que vão desde o livro impresso, nome nos agradecimentos, marcador de página, postal, adesivos, irmã de geladeira, Zine Cores para colorir, mini aquarela original...



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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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