Pride

Professora transexual recebe ajuda de alunos para pagar cirurgia de redesignação sexual



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A professora de literatura Danieli Balbi, de 27 anos, mobilizou muita gente em prol do seu sonho: a cirurgia de redesignação sexual (popularmente conhecida como mudança de sexo). Ela conseguiu realizar na última quinta-feira (21) com o médico Márcio Littleton, passa pelo pós-operatório, mas ainda precisa arcar com os custos.


Na luta pelo sonho da professora em “adequar a sua essência ao corpo” – como ela define - os alunos do 2º e 3º ano do ensino fundamental do Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro resolveram se engajar. Eles fizeram uma rifa durante a festa julina do CAP UFRJ para ajudar a professora com parte dos custos.

"Meus alunos são tão queridos. Vieram me perguntar se podiam fazer a rifa, que foi vendida ostensivamente para professores e pais de alunos. Eles são uns fofos", declarou Dani. “Eles estavam bem empolgados, disseram que era por uma boa causa. A rifa custava R$ 5 e o prêmio era um crédito de R$ 100 em um restaurante”, declarou a estudante de química industrial Amanda Friasça, ex-aluna do CAP URFJ, ao jornal O Globo.

Apesar da iniciativa, não foi divulgado qual o valor levantado. Para ajudar, u
m crowfunding também foi criado e divulgado no site Kikante. O Objetivo é arrecadar R$ 40 mil até o dia 4 de agosto – que visam arcar com os custos da cirurgia e dos exames preparatórios e do pós-operatório. Até o momento foram arrecadados pouco mais de R$ 3 mil, ou seja, 8% do valor.

Nas redes sociais, Dani chegou a publicar um vídeo em agradecimento por toda a mobilização. “Como vocês podem ver, estou em uma cama de hospital. Felizmente, acabei de passar por uma cirurgia de redesignação sexual. Correu tudo bem, a cirurgia foi ótima, estou me recuperando bem, apesar das dores. Queria agradecer a todos vocês que, de certa forma, foram responsáveis por essa força, por essa coragem, pelo projeto, que dividiu a urgência dessa questão que me levou a fazer muitas dívidas”.



PROFESSORA FALA SOBRE SITUAÇÂO

Danieli é uma mulher transexual – pessoa que foi designada homem ao nascer, mas que se identifica com o gênero feminino e é uma mulher. Ela afirma que sempre teve a consciência de sua identidade de gênero, sobretudo quando assistiu a um vídeo da cantora Daniela Mercury e a ficha caiu: Queria ser exatamente como a cantora.

“Desde adolescente vivo timidamente a transexualidade, tendo sido obrigada a camuflar a minha essência para poder me formar e ingressar no mercado de trabalho. Há dois anos vivo plenamente como a mulher que sou, encontrando forças para me libertar de uma vida que me sufocava. Nesses dois anos tenho feito tratamento psicológico, psiquiátrico, terapia hormonal com endocrinologista e recebido apoio de assistente social”, escreveu.
"Fica impossível arcar sozinha com a despesa"

No site do crowfunding, ela afirma que a cirurgia de redesignação sexual vai possibilitar a felicidade plena e o encontro definitivo de sua essência com o corpo. “O resultado é a possibilidade de me reconhecer no espelho, sem sustos ou tristezas, vivendo uma vida completa e normal, como toda mulher saudável e realizada”.

Mas o que era sonho tornou-se uma dura batalha. “Infelizmente, o hospital público que realiza essa cirurgia no Rio de Janeiro – o Hospital Universitário Pedro Ernesto – está falindo. Eu sequer consegui ingressar no programa de acompanhamento. Para completar, sou professora do Estado do Rio de Janeiro, que vem atrasando nossos salários e inviabiliza o recebimento de gratificações. Assim, fica impossível arcar sozinha com essa despesa”.

Se você também quiser ajudá-la, bem como os alunos, você pode clicar aqui e fazer a sua doação.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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