Pop e Art

Projeto “Por existir” traz vivências de pessoas trans em fotos, documentário e nas redes




Por Neto Lucon

Diversas travestis, mulheres transexuais e homens trans estão dando relatos sobre suas vidas – e até atuando como modelos – para o projeto "Por existir: um relato sobre a transexualidade", feito por uma turma de estudantes de jornalismo do Centro Anhanguera de São Paulo (saiba todos os nomes ao fim da reportagem) preocupados em contribuir para a erradicação da transfobia no Brasil.

O projeto conta um documentário, um livro de relatos de pessoas trans e ações nas redes sociais – Facebook, Instagram e Youtube. A intenção é cumprir a verdadeira função do jornalismo em levar a informação de qualidade sobre a transexualidade, promover reflexão e desmistificar preconceitos em detrimento da banalização que a mídia "profissional" já faz.

A equipe, que traz o gás da nova geração de jornalistas, informa que cada um dos veículos que compõe o projeto transmidiático tem uma função. “O livro é para mostrar a beleza trans, além dos estereótipos impostos. O documentário vem com o olhar sobre a transexualidade dos próprios transexuais, especialistas e pessoas contrárias. Já a experiência virtual tem função de apresentar todo o trabalho realizado, trazer denúncias de situações de transfobia, além das postagens motivacionais contra o preconceito, afirma Rogerio Fagundes. 

Os cliques da fotógrafa Victoria Hope, que é estudante de Jornalismo e designer de moda, e do fotógrafo Ricardo Yagi, que estuda Publicidade e Propaganda e também é cineasta, já fazem sucesso nas redes. Inicialmente o projeto teria 25 ensaios, mas devido à boa repercussão - e a vontade de outras pessoas em participar - a ideia é de que ele seja ampliado posteriormente. 
Rodrigo Martins
Danna Lisboa


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O ENSAIO


Dentre os homens trans que participaram do "Por Existir", está Robis Ramires. Ele afirma que gostou muito do resultado e do tratamento que recebeu da equipe. Sobretudo porque ela pensou em contemplar várias vivências, tipos de beleza e respeitou a todos de acordo com a identidade de gênero.

“A recepção foi maravilhosa desde o primeiro ‘oi’, o respeito ao gênero e a vontade de ajudar a causa LGBT. Conversado com uma pessoa da equipe, fiquei sabendo que estavam procurando trans negros, femininos, e eu fiquei maravilhado, porque geralmente as pessoas só pensam no padrão”, declarou.

George Apolinario, que também é homem trans, declara que foi o seu primeiro ensaio fotográfico e que se sentiu motivado a participar por perceber profissionais com o objetivo de unir forças contra a transfobia. E também pela vontade de dar mais visibilidade para a comunidade trans.


"Eu sou muito tímido, então foi um pouquinho difícil me soltar no começo. Eles me ajudaram muito e eu fiquei confortável depois. Foi uma experiência maravilhosa. O pessoal é super atencioso, divertido e te respeita o máximo. Me senti muito lisonjeado em estar no projeto e por tudo o que eles fizeram", diz. 
Robis e George arrasando no ensaio de Por Existir




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Victoria, que ficou responsável por fotografar as mulheres trans, afirmou que foi uma experiência incrível. "Notei que todas em geral pareciam muito felizes com o shoot. Que no começo estavam mais tímidas, mas com o tempo foram se soltando e a experiência foi demais. Achei muito legal saber um pouco da história e a luta diária de cada uma delas", contou. 

APRENDIZADO MÚTUO

São responsáveis pelo "Por Existir" nove estudantes de Jornalismo: Beatriz Bertolli, Davi Lucian, Debora Chagas, Flavia Vogado, Gleise Hanna, Jaqueline Bauth, Jessica Braga, Rogerio Fagundes e Ronaldo Gomes.  Emanoel Braga, que também faz parte da mesma turma que a equipe, tem dado apoio participando de algumas sessões de fotos e filmagens. Todos afirmam ter aprendido mais sobre a transexualidade. 


“A pessoa transexual se sente oprimida perante a sociedade, visto que existe perplexidade na aceitação de sua verdadeira identidade. Neste conflito, não há integração, mas preconceito e violência. Ao mesmo tempo, há uma riqueza de experiências e barreiras superadas em volta dos diversos tipos de violência. Isso muda a sua percepção sobre a vida. Você realmente aprende que é possível vencer apesar das circunstancias desfavoráveis e ser feliz”, afirma Debora Lemos.

Victoria também leva a inspiração dos relatos para a sua própria vida. "Aprendi o quanto é difícil para muitas pessoas, que mesmo escutando 'não vai conseguir', estão lutando. Isso me motivou muito, principalmente por sentir que minha vida não valia muita coisa. E depois que elas chegaram, fiquei muito feliz de ver toda a motivação delas. Saí com o pensamento renovado e aprendi (principalmente com a Danna) a nos amar do jeito que somos". 


Fernanda Lovatelli 
Você pode acompanhar as futuras postagensno NLUCON e também na fanpage Por Existir clicando aqui.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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