Pride

Programa Silvio Santos volta a proibir travestis de participarem da plateia



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Depois que travestis e mulheres transexuais ganharam o direito de frequentar a plateia do Programa Silvio Santos em 2013, neste ano elas voltaram a ser barradas. Quem afirmou foi o assistente do programa, Roque.

Em entrevista ao programa The Noite, do SBT, ele disse que as trans foram barradas porque algumas fizeram bagunça no programa. E que agora apenas mulheres cis podem integrar plateia, que é chamada de a “mais feminina do Brasil”.

“Paramos de atender, porque algumas faziam bagunça na plateia. Fui eu mesmo que falei: ‘Não vamos mais aceitar que venham não”, declarou Roque, apontando que em programa que dá dinheiro o povo fica louco. Ele continuou: “Só temos mulheres. Para as mulheres tem de tudo, para os homens nada”.

Detalhe é que mulheres cis já agarraram, derrubaram e até cortaram a boca do apresentador. Mas elas nunca foram penalizadas, tampouco proibidas de participar do programa.

NA PLATEIA, SOFRIAM TRANSFOBIA

Roque afirma que passou a receber travestis em 2013 porque elas pediam para participar da caravana e que, após uma conversa com Silvio Santos, foi autorizado a receber.

“Ele falou: pode receber, eles (sic) são gente como a gente. (Além disso), como é que a gente vai reconhecer no meio de 200 pessoas se o cara é bicha, se o cara é isso ou aquilo. Eu ia apalpar o cara e ia entrar bem”.

Durante a fase em que aceitava travestis - apenas duas por programa - Silvio Santos ora elogiava a beleza ora fazia brincadeiras consideradas transfóbicas ao grupo. Ele chamava, por exemplo, as travestis de “contrabandos” e “sargentos da cavalaria do Canadá”. Apesar das piadas que escutavam, nenhuma era mal educada com o apresentador.

Vale lembrar que Silvio Santos é conhecido por abrir espaço para artistas travestis em seu programa desde os anos 80. O quadro ainda se mantém, mas vez ou outra Silvio continua com suas piadas e perguntando qual é o nome de registro do grupo. 


Assista a algumas participações:







About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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