Pop e Art

Vrááá! Bárbara Aires dá seguimento à carreira de atriz, faz peça, curta e teste na Globo



.
“A boa filha à casa torna – hoje como elenco”, escreveu a atriz transexual Bárbara Aires nas redes sociais. Ela se referia à visita a TV Globo para um teste de elenco em futuras produções da emissora. Anteriormente, Bárbara foi produtora em quatro temporadas do programa “Amor e Sexo”.

+ Ex-produtora da Globo, Bárbara Aires cursa jornalismo para humanizar população trans

No texto, ela destacou o momento em que a mídia aborda a empregabilidade trans, o protagonismo e o direito de atuar. E disse estar feliz pelo teste, uma vez que “já é algo inimaginável para uma pessoa trans”.

Bárbara – que também é militante dos direitos humanos, estudante de jornalismo e cabeleireira - tem dado continuidade ao sonho da carreira de atriz. E tem colhido frutos. Atualmente, está no elenco da peça Primavera das Mulheres, fez uma ponta no filme Contrato Vitalício e acaba de ser aprovada para um curta-metragem, Mercadoria, do Coletivo Carne e Osso.

“ É uma oportunidade que mostra que somos capazes e que podemos, sim, ser artistas, atuar e interpretar qualquer papel. Só depende da oportunidade e preparação, como qualquer atriz ou ator. É respeitar nosso talento, profissionalismo e responsabilidade. É legitimar nosso talento e dizer ao mundo que travestis, mulheres transexuais e homens trans podem, sim, estar nas telas do cinema, da TV e nos palcos”.

O CURTA

Em entrevista ao NLUCON, ela revela que Mercadoria será o seu quarto curta e que se prepara para viver uma garota de programa cisgênero. “Inicialmente seria para abordar a prostituição trans. Mas nas pesquisas elas descobriram que os locais de prostituição são separados, cis e trans, então ficaria inverossímil. Então decidimos que a personagem será cis”. 



Com roteiro e direção de Mila Teixeira e Carla Villla Lobos, o filme aborda a história de uma universitária que resolve fazer um trabalho acadêmico sobre prostituição. Ela entrevista as profissionais do sexo, todas mulheres cis, e uma delas sugere que a estudante experimente a profissão por um dia para que sinta na pele como é ser profissional do sexo.

A personagem de Bárbara será Priscila/Gisele, uma garota de família rica que foi expulsa de casa ao perder a virgindade com um homem de 40 anos. Abandonada por todos, encontrou na prostituição a sua profissão, fonte de renda e vocação – que ela defende com paixão. “Achei a personagem maravilhosa, até porque tem uma história bem diferente da minha: bem nascida, boa infância e que gosta de se prostituir. Será um desafio passar esse gosto pela prostituição”.

As gravações estão previstas ainda para julho, mas por enquanto Bárbara e outras atrizes fazem ensaios, além da preparação corporal. “Estamos trabalhando juntas a construção das personagens. Não é uma construção vertical, é horizontal”, declara.

NO TEATRO

Nos palcos, a atriz está em cartaz desde fevereiro na peça Primavera das Mulheres, com direção de Laura Castro. Trata-se de um manifesto político feminista realizado por quarenta mulheres – dentre elas atrizes, cantoras, produtoras, roteiristas, musicistas... É a segunda peça estrelada por ela.




.
“Comecei com uma intervenção que acontecia na plateia e com um pequeno texto sobre ser mulher trans. Nessa nova temporada, estou em cena o tempo todo o ganhei mais texto. Está sendo incrível, porque o teatro tem uma emoção completamente diferente”, declara.

A atriz afirma que as colegas de trabalho são magníficas, fortes e que a ensinam muito. “A diretora me elogia também, sempre que sugere uma mudança eu acato logo e apresento uma nova versão. No último ensaio ela disse que eu deveria pensar em ser roteirista”.

Nada mal, hein?!? Vrááá! 

Acompanhe a programação da peça clicando aqui

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.