Pop e Art

Vrááá! Youtuber trans Mandy Candy lança primeiro livro: “Meu Nome é Amanda”



.
Por Neto Lucon

A youtuber Amanda Guimarães, do canal Mandy Candylança na primeira semana de agosto o seu primeiro livro “Meu Nome é Amanda”, da editora Rocco (R$19,50). A obra aborda a questão a vida da youtuber, a descoberta da transexualidade, seus desdobramentos e a importância da família no chamado "processo transexualizador". 


“O livro fala sobre a minha vivência como mulher trans, como me descobri, alguns momentos que sofri de transfobia e também dá recado para as pessoas que dão ‘close errado. Afinal, uma pessoa trans é igual a uma pessoa cis”, declara Amanda ao NLucon.

Com relato em primeira pessoa – ela escreveu com a revisão de Lielson Zeni – a youtuber traz uma linguagem de fácil acesso e dialoga de maneira leve, mas não menos aprofundada, com os seus "marotos" e "marotas" (como ela chama carinhosamente os seguidores), catapultando-a para histórias ainda não contadas no canal. Ou dando mais detalhes daquelas que já falou. 

Ao longo de cerca de 130 páginas, Mandy discorre da infância, da aceitação familiar, das transfobias ao boom do seu canal. Aborda o dia a dia na Ásia, o primeiro beijo, as primeiras montagens, a descoberta da transexualidade, a redesignação sexual, pensamentos suicidas e os romances frustrados. Ou seja, uma obra que promete agradar os fãs e sensibilizar os futuros hatters. 

O livro ainda conta com muitas fotos - de Mandy em diversas fases, cabelos e momentos - e listas de assuntos e pessoas preferidos da youtuber, além de outras curiosidades.   

“O livro está babado! Podem esperar muita emoção, porque quem leu até agora chorou”, defende ela, que torce para que um dia não haja mais rótulos, preconceitos e diferenças sociais. “Que acabe o ‘trans’ e o ‘cis’ e que todos nós sejamos vistas apenas como pessoas. É essa a mensagem que quero passar”.




.

QUASE 300 MIL SEGUIDORES

Num momento em que diversos youtubers ganham fama e fazem de seus vídeos suas profissões, Mandy aparece como a voz trans de maior alcance. São quase 300 mil inscritos em seu canal, sendo a trans com o maior número de seguidores.

O grande sucesso ocorreu quando ela resolveu revelar sem medos que é uma mulher transexual. E começou a discorrer sobre o seu cotidiano de maneira leve, divertida e bem-humorada. Detalhe: o seu público-alvo é de 14 a 22 anos. E alguns de seus vídeos alcançam até 1 milhão e 500 mil visualizações.

Não demorou muito para que a editora Rocco a convidasse para um livro, que Amanda fez questão de ela mesma escrever (parece óbvio, mas nem todo youtuber escreve o próprio livro). A obra esteve pronta pouco mais de um mês.

“Se você ver no canal, teve uma época que eu só postava um vídeo por semana, porque me dedicada totalmente. Acordava para escrever, pedia dicas para a editora... Eu não sou formada em letras, então mandava o texto e pedia sugestões. Daí diziam ‘você pode melhorar nisso’”, declara.

O resultado pode ser conferido nas livrarias de todo o Brasil a partir do dia 1º de agosto. E, como diz Mandy, "Maroto que é maroto se encontra aqui" - quer dizer, lá na sessão de autógrafos. 

Confira um pequeno trecho:

“Posso dizer que sofri piadinhas durante toda minha vida – e para falar a verdade ainda sofro com elas. Recebo diariamente xingamentos como trap, cilada, traveco, armadilha, homem capado, mulher kinder ovo, etc. Além disso, algumas pessoas me chamam de abominação (usando Deus como escudo), outras me mandam mensagens desejando que eu queime no inferno, chego a me sentir o anticristo!

Até fiz um vídeo no meu canal para responder essa galera. Vai lá. Procure por “Não tenho Preconceito só não gosto de Travesti! E Travecão Filho da Put*! – Cyberbullying”.

Fico imaginando o que eu fiz pra vida dessa gente. Recebo até algumas ameaças falando que se me virem na rua vão me bater pra que eu aprenda a virar homem e que vão me dar lampadaço na cara. Tudo isso vindo de pessoas que se escondem atrás da ignorância e que não querem abrir os olhos para o próximo.

Mas a Amandinha de hoje não se deixa afetar. Eu sei quem eu sou, sei que sou perfeita, maravilhosa como qualquer outra pessoa que espalha o amor nesse mundo, sei que não tem e nunca teve nada de errado comigo. Como eu falo sempre pra quem me segue nas redes sociais: somos viadas maravilhosas! Não importa se é homem, mulher, hetero, gay cis ou trans! Somos todos perfeitos e lindos, né non? SOMOS, SIM!

Mas na infância e adolescência, eu me sentia...”

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.