Realidade

Guarda municipal Jordhan Lessa será o primeiro homem trans a conduzir a tocha olímpica



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O guarda municipal Jordhan Lessa, de 49 anos, tem uma importante missão nesta semana: ser o primeiro homem trans a conduzir a tocha olímpica no Rio de Janeiro.

Em suas redes sociais, o guarda afirmou que tem certeza que o momento será uma emoção única e importante para sua vida e para a comundiade. E que não teme algum tipo de demonstração de preconceito.

“Quero que saiba que cada passo conduzindo o fogo, que representa a paz, o nome de cada um de nós estará sendo lembrado por alguém que honra a nossa luta. E mesmo aqueles que são contra, espero que tenham compreensão para enxergar o tamanho da barreira ultrapassada para que um homem trans estejam ali”, escreveu.

Além dele, carregaram a tocha a cartunista Laerte Coutinho, em São Paulo, a professora Bianka Lins, em Minas Gerais, e Andressa Sheron, no Maranhão. 


Jordhan acredita que tenha sido escolhido por sua história de vida, que tem como adjetivo a palavra “superação”. Tanto pela luta pela sobrevivência, por sua verdadeira identidade quanto pelo pioneirismo de ser o primeiro homem trans na Guarda Municipal do Rio de Janeiro. Histórias únicas e marcantes que foram contadas no livro “Eu Trans”.

“A confirmação de minha participação acabara de chegar. Imediatamente minha mente projetou um filme. Lembrei dos gritos acusados e humilhantes que ouvi, das dores e das lágrimas que derramei nos bancos de praça que dormi, no manicômio e na instituição para menores onde estive (...) Lembrei das poucas e importantes pessoas que me ajudaram (...) Compreendi que todos nós somos atletas da vida e cada um, de acordo com sua história, passa diariamente por suas provas, vencendo barreiras e correndo ao final do dia para um podium sem troféus, sem champanhe, muitas vezes solitário (...) A tocha, a olimpíada e tudo que envolve esse momento que seja para um propósito maior”, finalizou.

Parabéns!

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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