Realidade

Nadadora Joanna Maranhão pede desculpas a Ariadna Arantes por frase transfóbica





Por Neto Lucon

Antes de disserminar preconceito nas redes sociais, saiba que você também pode ser vítima dele em outro momento. É o que deve (ou pelo menos deveria) ter aprendido às duras penas a nadadora olímpica cisgênero Joanna Maranhão nesta semana sobre o assunto.

Após sofrer ataques (obsolutamente condenáveis) nas redes sociais por perder a medalha Olímpica - e processar (com muita razão e direito) os agressores - internautas lembraram que a nadadora já foi transfóbica nas redes sociais no passado.


Em uma postagem de Joanna de 2011, ela escreveu que a ex-BBB Ariadna Arantes – a primeira mulher transexual a participar de um reality show no Brasil - deveria usar o dinheiro do programa para o funeral, pois só pareceria mulher se nascesse de novo.




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"Pronto, Ariadna. Pega os 2 mil e paga seu funeral... Porque pra você se passar por mulher só morrendo e nascendo de novo", escreveu ela, na época do BBB.

Ao saber da polêmica da Itália, Ariadna escreveu nas redes sociais que o bom do Twitter é que tudo fica registrado e que vê hipocrisia nas declarações atuais de Joanna. “Além de passar vergonha pela sua perda, pela sua hipocrisia escrachada e provada, ainda tem que atuar olhar para minha cara e se perguntar: como pode ser mais linda que eu. Parece que o jogo virou, não é mesmo?”.


Já a esportista lamentou ao ser lembrada -das declarações transfóbicas e disse saber que pode ter magoado muitas pessoas trans. “Eu entendi o quanto uma brincadeira da internet pode magoar as pessoas. O pessoal foi atrás de alguns tweets meus antigos. Quem me conhece sabe que eu não sou uma pessoa homofóbica (sic, não seria transfóbica?), pelo contrário, eu luto contra isso”, falou no Snapchat.

Porém, depois ela diz que o erro não foi a frase em si, mas ter feito uma "brincadeira" publicamente. "Uma coisa sou eu brincar dentro da minha casa, com meu irmão e com minha irmã, quando meu irmão fica doente e eu falo assim 'ah, ficou doente porque é viado (sic), se fosse hétero não ficaria'; outra coisa diferente é eu ir no Twitter e falar isso. E aí as pessoas obviamente pegam, botam fora de contexto e parece mesmo que eu sou uma pessoa homofóbica".

Nesta quarta-feira (10), Joanna escreveu um pedido de desculpas, em especial para a Ariadna, e reconheceu que o Brasil é um país estruturalmente preconceituoso. Confira:



Tome nota: 
O NLUCON repudia todas as declarações preconceituosas nas redes sociais. Tanto a destinadas à Joanna quanto Ariadna. Essa nota não deve ser utilizada para minimizar a violência sofrida por ninguém. Mas evidenciar que a opressão e o preconceito são destrutivos para todos. E a pessoa que é opressora num dia pode ser oprimida em outro.

Ah! E que transfobia NÃO é brincadeira. Pensemos. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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