Realidade

Mãe chora e pede justiça pelo assassinato da travesti Tiffany Rodrigues no Mato Grosso



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Inês Rodrigues dos Santos
, de 47 anos, chora a morte da filha Tiffany Rodrigues, travesti de 24 anos que foi brutalmente assassinada no dia 8 de agosto em Alta Floresta, município a 800km de Cuiabá, Mato Grosso.

Em entrevista ao G1, a mãe afirma que Tiffany era companheira, querida e carinhosa com todos. E que é lamentável ter vida retirada pela violência, sobretudo num momento em que fazia cursos para abrir um salão de beleza e que estava cheia de sonhos.

“Eu amo todos os meus filhos, mas ela era unha e carne comigo, minha filha mais velha, minha companheira, sempre se preocupava e cuidava de mim. É muito difícil acordar todos os dias e não vê-la em casa (...) Minha filha morreu cheia de sonhos”, afirmou.

De acordo com a polícia militar, Tiffany foi encontrada morta com sinais de enforcamento na estrada de uma fazenda localizada na região de Castanheira. A mãe afirma que a filha foi torturada e que estava toda machucada e com queimaduras de cigarro pelo corpo. “Quando a vi, peguei em suas mãos e estavam todas pretas. Ela levou pauladas na cabeça. Tinha um rosto tão bonito e estava toda machucada”.

A polícia informou que ainda não há suspeito e que não pode dar maior detalhes sobre as investigações, uma vez que a cidade é pequena e que qualquer notícia pode atrapalhar a conclusão do inquérito. Sabe-se, contudo, que a vítima sofreu uma tentativa de assalto no início do ano e que, após conseguir escapar, levou um tiro na boca do assaltante no dia seguinte. O agressor é menor de idade e continua solto.

“Confiamos na Justiça de Deus para fazer essa pessoa aparecer e pagar pelo que fez. Se a Justiça da terra parar (de investigar) vamos lutar até conseguir colocar o culpado na cadeia. Quem faz isso não pode nem ser chamado de pessoa, não é gente, não é bicho, é um monstro que não tem um pingo de amor no coração”.

Tiffany foi enterrada no cemitério municipal no dia 9.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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