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Militante trans Renata Peron se forma em Serviço Social: “Ter diploma era algo distante”


Por Neto Lucon

A cantora e militante transexual Renata Peron participou na terça-feira (2) da formatura de Serviço Social da Universidade Nove de Julho (Uninove), na Expo Barra Funda, em São Paulo. Apesar da vitória e comemoração, ela aponta: “De cerca de 5 mil pessoas, eu era 0,1% que representava as trans do espaço”, diz.

Renata reuniu amigos e familiares e diz ao NLUCON que não esperava que um dia fosse ter um diploma em mãos. “Não imaginava porque sofri muito bullying e tenho cicatrizes físicas das pedradas que eu levava na escola. Então voltar a estudar e ter um diploma era algo distante”, declarou.

Ela afirma que a decisão de ingressar na faculdade foi motivada quando quis entrar para o movimento social de travestis e mulheres transexuais. E entendeu que precisava buscar conhecimento para reivindicar os seus direitos. “Sofri uma agressão em 2007 e assumi a minha identidade. Percebi que para entrar no movimento e fazer alguma diferença, eu precisava de uma ferramenta que é o conhecimento”, declarou.
Com a mãe Maria de Fátima e Patricia Araújo


Com Dimitri Sales e Paloma Assunção


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Renata diz que teve o apoio de amigos, como o advogado Dimitri Sales, e que pagou o curso todo com o seu trabalho como recepcionista da SP Escola de Teatro, com os shows e a venda de CDs. “Ao contrário do que pensam, o meu público não é o gay, porque os donos de clubes gays não aceitam trabalhos como o meu. Preferem aquela coisa mais enlatada. Trabalho mais para o público (cis) hétero”.

Durante a formatura, a mais nova assistente social diz que passou por “muitas sensações”. “A título de política e autoafirmação foi muito importante. Mas vi que eu ali, sendo 0,1% das trans, era muito pouco se comparada a quantidade de travestis e transexuais que não conseguem completar nem o segundo grau, pelo bullying, pela falta de respeito ao nome social Eu mesma enfrentei dificuldades para me formar agora, tanto de grana quanto de olhares de pessoas que não entendiam que ser diferente não faz ninguém menor que o outro. Que ser diferente é normal”.

Para o futuro, ela espera prestar um concurso público para trabalhar na área de sua formação. E também estuda fazer um mestrado. “Já mandei uma carta para a Uninove e estou esperando uma resposta”. Enquanto isso, ela vai continuar na SP Escola de Teatro, fazendo os seus shows e preparando três grandes novidades – que contamos em outro momento – sobre a sua trajetória de sucesso e superação. 

Muitas palmas!


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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