Pride

Você sabia? Em 2000, só travestis venceram as eleições dentre candidatos LGBT



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Nas eleições dos últimos anos, há uma campanha para que candidatos LGBTs sejam eleitos. Mas apesar de urgente, a demanda não é nova. Em 2000 – ou seja, 16 anos atrás - as chamadas mídias gays já falavam a respeito e ressaltavam a importância da representatividade.

E uma reportagem da extinta G Magazine informava que, dentre os mais de 30 candidatos assumidamente LGBT e que fizeram campanha junto com o público, apenas três se elegeram. Detalhe: as três eram travestis.


Foram elas: a já conhecida Kátia Tapety (PFL), que estava indo para o seu terceiro mandato como vereadora da pequena cidade de Colônia, no Piauí. A candidata conhecida como Galo Véio (PMN), de Formiga, Minas Gerais. E Mary (PFL) foi eleita vereadora da cidade de Tanguá, no Rio de Janeiro.

Katia recebeu 316 votos (8,5% do eleitorado) e Galo Véio levou 865 (2,1%). Ambas eram conhecidas como travestis desde a adolescência, passavam dos quarenta anos e conquistavam a população por prestarem serviços de enfermagem. Já Mary recebeu 709 votos.


A nota – que tinha o título “Só deu travesti” - informava que “os demais tiveram votações pequenas, mas, apesar disso relevantes, numa sociedade ainda conservadora como a nossa”.

Dezesseis anos depois, há várias candidatas travestis, mulheres transexuais e homens trans como pré-candidatas e pré-candidatos às eleições atuais. Em breve, vamos listar todos e todas. Será que elas e eles vão repetir o feito de 2000? É aguardar...

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Flávia Khouri disse...

Boa noite, Neto, sou de Formiga, cidade do interior de MG. A "Galo Véio" se chama Moacir Alves, é prima em segundo grau do meu noivo. Infelizmente, há uns anos atrás, ela sofreu um acidente, caindo da laje de sua casa e hoje necessita de cadeira de rodas para se locomover. Na época ela foi a candidata mais votada da cidade, porém não por confiança em seu trabalho, mas pela "zoação" empregada no gesto. Durante seu mandato, Moacir se viu forçada a abandonar a identidade "Galo Véio" feminina e se apresentar no plenário da Câmara Municipal usando terno e gravata. Dezesseis anos se passaram e a mentalidade aqui de forma geral ainda não mudou. Moacir foi esquecida por ter perdido seu apelo visual e por não andar mais pela cidade com seu vestido vermelho e suas bijuterias. Ninguém se importa, ninguém se lembra. Somente para fazer comentários jocosos e referências depreciativas.
Achei que valeria a pena contar um pouquinho sobre ela por aqui.
Abraços.

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